Brasília

(AE) – Com um sorriso sem jeito, o presidente do Banco Central (BC), Armínio Fraga, disse ontem que aceita a proposta do candidato a presidente José Serra (PSDB) de permanecer no cargo num possível governo tucano a partir de 2003. O convite a Fraga foi feito num momento de incertezas e insegurança para o mercado financeiro e reforça a idéia que os governistas tentam vender para o eleitorado de que somente uma vitória tucana preservaria a estabilidade da economia. Essa estratégia ganhou força após a convenção nacional do partido, no fim de semana, quando todos os discursos bateram na mesma tecla: o Brasil não pode pôr em risco o controle da inflação e o ajuste fiscal. Ontem, após participar de uma audiência pública na Comissão de Finanças e Tributação, o presidente do BC foi questionado se aceitaria o convite. Diante da confusão que se formou na saída de Fraga do Congresso, o “aceito” veio em dose tripla para não deixar dúvidas. “Eu ouvi, ele disse que aceitava. Sou testemunha”, afirmou o presidente da comissão, Benito Gama (PMDB-BA), que o escoltou até a saída do Legislativo. Se está em linha com os recentes discursos tucanos, o convite a Fraga vai de encontro a declarações anteriores de Serra, que prometeu dar “continuidade, mas sem continuísmo”. Para o candidato do PSDB a presidente, é preciso manter as conquistas, mas fazendo algumas correções de rumo que são necessárias.