Brasília – Dezesseis pessoas foram presas nesta terça-feira (19) suspeitas de fraudar benefícios da Previdência Social a doentes psiquiátricos em Belo Horizonte (MG). Entre os detidos, está o chefe de uma agência da Previdência, suspeito de facilitar a marcação das perícias. Também foram detidos um perito médico, um advogado e um bispo da Igreja Católica, suspeito de tráfico de influência.

A Operação Freud, como foi batizada, é resultado de um ano de investigação da Força-Tarefa Previdenciária, formada por Polícia Federal (PF), Ministério Público Federal e Ministério da Previdência Social.

Com o esquema, a quadrilha teria atraído cerca de 400 segurados e gerado um rombo de mais de R$ 4,5 milhões. Durante um ano de investigação, a força-tarefa identificou vários escritórios de despachantes que captavam clientes interessados em obter benefícios previdenciários de forma fraudulenta, especialmente auxílios-doença e aposentadoria por invalidez.

Mediante pagamento de propina, o médico perito e outros servidores do Instituto Nacional do Seguro Social (INSS) faziam a marcação privilegiada de exames periciais, sempre com o mesmo médico envolvido no esquema. Assim, asseguravam a aceitação do benefício. Além de fornecer o benefício "sem sequer avaliar o paciente", segundo a Polícia Federal, o médico também comercializava exames, receitas e medicamentos de venda controlada.

O chefe de uma das Agências de Previdência Social da Grande Belo Horizonte agilizava os benefícios indevidos, inclusive mediante a inserção de dados falsos no sistema da Previdência Social. O advogado pleiteava direitos inexistentes nos Juizados Especiais Federais com a apresentação dos laudos médicos falsos.

Os 16 presos vão responder pelos crimes de formação de quadrilha, estelionato qualificado, falsidade ideológica e documental, corrupção ativa e passiva e advocacia administrativa. Foram constatadas ainda situações de tráfico de influência para cooptar novos colaboradores no âmbito da Previdência Social a participarem das fraudes, aumentando a rede para a obtenção de benefícios.

A Polícia Federal não explicou como se dava a participação do bispo católico, mas informou que tinha ligação direta com os líderes da quadrilha, usava sua influência e deve responder pelos mesmos crimes dos demais acusados.

A Operação Freud cumpriu 25 mandados de busca e apreensão em residências, escritórios e consultórios médicos da região metropolitana de Belo Horizonte. As provas colhidas ajudarão a identificar segurados, beneficiários do esquema, e a cancelar todos os benefícios irregulares obtidos e reaver a quantia desviada com a fraude.