A frota de 61 Airbus A320 da TAM registra, pelo menos, três falhas que impedem suas decolagens todo mês. A empresa informa que o número está dentro dos padrões para aeronaves que voam em média 10 a 12 horas por dia e fazem um pouso e uma decolagem a cada 1 hora e 20 minutos. Os números da manutenção da empresa chamaram a atenção depois que se tornou público o histórico de defeitos do A320 prefixo MBK, que se chocou com o prédio da TAM Express em 17 de julho. Antes de varar a pista de Congonhas e provocar o maior acidente aéreo da história do País, com 199 mortos, a aeronave havia apresentado problemas no reverso direito, que foi travado, um aumento de temperatura da turbina direita e o mau funcionamento de um sensor de um de seus trens de pouso.

Tudo isso é considerado normal. Muitos desses problemas não seriam defeitos, mas apenas o resultado de situações como a temperatura em altitudes elevadas, que leva à formação de gelo, ou da variação de tensão elétrica na aeronave. O fato de pilotos e mecânicos apontá-los em relatórios faria parte da cultura do setor de incentivar que qualquer possível falha seja informada para que conste do diário de bordo do jato. Um sensor, por exemplo, pode apresentar um defeito num dia e depois voltar ao normal. ?Se ele volta a apresentar o mesmo defeito, aí pode ser hora de trocá-lo?, disse o vice-presidente Técnico da TAM, Ruy Amparo. ?Nossa média de problemas é das mais baixas da aviação mundial?, afirmou. ?Estamos no mesmo nível da Air France e da Lufthansa.

Segundo a TAM, a empresa gasta US$ 250 milhões por ano com manutenção de suas aeronaves – metade desse custo se deve a gastos com os motores. Outros 30% dos custos da manutenção são gastos com componentes. O dinheiro gasto para revisar os aviões representa até 12% do custo total de uma empresa aérea como a TAM.