Rio de Janeiro – A Fundação Nacional da Saúde (Funasa) irá investir em cursos com o objetivo de reduzir a mortalidade entre crianças com menos de cinco anos e de gestantes em comunidades indígenas. A partir de outubro, começam os cursos à distância, via internet, sobre vigilância e segurança alimentar que serão ministrados pela Escola Nacional de Saúde Pública da Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz), localizada no Rio de Janeiro.

A capacitação, de 360 horas, será dirigida a 250 profissionais e gestores de saúde que atuam em localidades que tenham aldeias indígenas, em todo o Brasil. Para o ano que vem, está previsto mais um grupo mais uma turma de 250 pessoas. Ao todo, foram investidos R$ 910 mil.

De acordo com a Funasa, em 2000, 74,6 crianças indígenas em cada mil nascidas vivas morriam antes de completar cinco anos de idade. Seis anos depois, esse número caiu praticamente pela metade, chegando a 37,5 mortes por cada mil.

A gerente de Vigilância Alimentar e Nutricional da Funasa, Elaine Martins, disse que uma das principais causas de mortalidade infantil entre indígenas é a desnutrição, provocada por uma série de fatores. Algumas aldeias, por exemplo, recebem as cestas de alimento do Ministério do Desenvolvimento Social e Combate à Fome, mas faltam fogões e até mesmo panelas.

"Entre os índios da etnia Xavante, foi sendo introduzida uma alimentação baseada em arroz, que não fazia parte da sua cultura, o que vem provocando obesidade, diabetes e anemia. Já no Mato Grosso do Sul, um ponto importante que pode ser destacado é a redução das terras indígenas, gerando a queda na produção de alimentos", exemplificou Elaine Martins.

O curso é uma das estratégias do Sistema de Vigilância Alimentar e Nutricional (Sisvan). No Brasil, o sistema foi recomendado na década de 70, pela Organização Mundial de Saúde, e só começou a ser dirigido para a saúde indígena, segundo a Funasa, no final de 2003.

O Sisvan tem por objetivo fazer o diagnóstico da situação alimentar e nutricional da população, identificando as áreas geográficas, segmentos sociais e grupos populacionais mais expostos a riscos nutricionais, como desnutrição e obesidade.