Inflação alta, baixa educação digital e engenharia social fazem a soma perfeita para que golpes e fraudes em plataformas de compra e venda na internet aconteçam com mais frequência.

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No geral, esses casos envolvem produtos populares e de alto valor agregado, como eletrodomésticos e tecnologia. Levantamento da OLX com a AllowMe de junho identificou que os smartphones lideraram os produtos com mais fraudes no comércio eletrônico de janeiro a maio de 2022.

O prejuízo estimado foi de cerca de R$ 62,9 milhões. Golpes com celulares, na maior parte iPhones, representam 39% no período, seguidos por videogames (19%) e computadores (13%).

De acordo com Sérgio Almeida, professor de Economia Comportamental da USP, o cenário de inflação alta estimula o surgimento de fraudes.

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Segundo ele, a dispersão e o aumento dos preços fazem as pessoas se dedicarem mais à busca por ofertas atrativas, e acabam prestando menos atenção nos detalhes das compras.

No Brasil, a inflação fechou o ano de 2021 em 10,06%, segundo dados do IPCA (Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo), do IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística).

“Os golpistas percebem esse influxo de pessoas desesperadas por produtos mais baratos, que viram uma presa fácil. Elas ficam tão seduzidas pela ideia de economia que caem nesses golpes”, disse Almeida.

O golpe da compra confirmada, ou falso pagamento, liderou o ranking das fraudes mais aplicadas nos primeiros meses deste ano, com 67% dos casos, segundo o levantamento.

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Nessa categoria, o fraudador envia um comprovante de pagamento falso com os dados da vítima por email ou aplicativo de mensagem. Com isso, a pessoa entende que o valor já foi depositado e envia o produto da venda. Mas, quando o vendedor percebe que não houve pagamento, o falso comprador já está com o produto e deixa de responder as mensagens.

No segundo golpe mais popular, do falso anúncio, o fraudador cria um anúncio de um produto cujo preço é cerca de 14% mais barato que a média do mercado. Imaginando ser uma oferta real, a vítima faz o pagamento e não recebe o produto.

Mas golpes do tipo não se restringem a plataformas C2C (consumidor para consumidor), como OLX, Enjoei e os marketplaces do Facebook e do Instagram.

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O estudo ainda indica que houve uma proliferação de sites de compra falsos, que fazem anúncios para atrair compradores com a oferta de produtos novos abaixo do preço de mercado. Além disso, a Aleoesp (Associação dos Leiloeiros Oficiais do Estado de São Paulo) alerta para a existência de 2.113 sites de leilões falsos.

Além do preço menor, esses sites destacam que há poucas unidades do produto e a oferta estará disponível apenas por algumas horas ou minutos, criando um senso de urgência no consumidor. Isso estimula a compra impulsiva e o pagamento rápido, mas, nesses casos, o produto não é enviado.

Para Maristela Calazans, vice-presidente de produto da OLX, a digitalização promovida pela pandemia criou um fluxo de entrada de pessoas com baixa educação digital no ecommerce.

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“Por conta da pandemia, muitas pessoas que não faziam transações digitais passaram a fazer. Como é um processo natural de aprendizado, estava entrando no mercado quem não tinha esse tipo de conhecimento. Isso gera um apetite para o fraudador, que sabe que vai ter gente mais vulnerável e se aproveita disso”, disse.

Para Calazans, usuários devem prestar atenção em alguns sinais na hora de fazer compras online. Engajar em anúncios com preços destoantes da média do mercado, fazer negócios fora das plataformas monitoradas e compartilhar dados pessoais são os principais erros cometidos.

Entenda como se proteger dos principais golpes

Compra confirmada

Só entregue ou envie o produto após a confirmação do pagamento em sua conta bancária ou carteira digital. Mantenha a conversa pelos chats das plataformas e evite negociar por aplicativos de mensagens. Desconfie de mensagens ou emails que simulem comunicados oficiais das empresas. Verifique o domínio do email (xx@nomedaempresa) e o status da negociação no site ou aplicativo da empresa.

Anúncio falso

Priorize negociar diretamente pelas plataformas que contam com a opção de pagar e receber o valor e envio do produto. Ao optar por negociar diretamente, só faça o pagamento após receber o produto. Desconfie de preços muito abaixo dos valores de mercado e, ao perceber atitudes suspeitas, denuncie ao atendimento das plataformas.

Sites falsos

Pesquise sobre a loja virtual e verifique se há reclamação de outros usuários em sites como o Procon e o Reclame Aqui. Desconfie de preços muito baixos, uma vez que os valores costumam ser similares de uma loja para outra. Verifique o endereço e o domínio do site, que podem ter diferenças sutis em comparação com os sites reais.

Leilões falsos

Consulte se o leiloeiro está cadastrado nas Juntas Comerciais e participe de plataformas auditadas, que trazem mais segurança para concluir o processo de vendas. Nunca faça depósitos ou pagamentos a qualquer pessoa que não esteja no CPF do leiloeiro oficial matriculado.