Belo Horizonte – O governador de Minas Gerais, Aécio Neves (PSDB), disse ontem que os governadores insistirão na negociação com o Palácio do Planalto em torno de uma maior participação nas contribuições federais, como a Contribuição Provisória sobre Movimentação Financeira (CPMF). ?Nós não encerramos as negociações, elas apenas se iniciaram, não apenas em relação aos temas já aceitos pelo governo, mas mesmo em relação às contribuições?, disse Aécio, ao comentar a reunião de anteontem com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva em Brasília.

Segundo o tucano, durante o encontro na Granja do Torto, o próprio Lula relatou que a situação do País ?é outra? e o governo federal está atualmente ?em melhores condições de atender a essas demandas do que esteve no primeiro mandato?. ?Falta agora que as boas intenções, manifestadas pelo presidente da República e reconhecidas por todos nós, se transformem em ações concretas?, completou.

Aécio classificou como positiva a reunião com Lula e as concessões pontuais prometidas para atenuar o estrangulamento financeiro dos estados. Algo, porém, ?ainda tímido?, conforme o governador mineiro. ?Abriu-se uma porta para algumas negociações. Algumas positivas, mas que poderão avançar ao longo do tempo.?

Ele, no entanto, considerou sincero o relato feito por Lula em relação à situação dos estados. ?O presidente da República me pareceu sincero e determinado a encontrar caminhos para que os estados voltem a ter maior capacidade de investimento.?

Na próxima segunda-feira, a ministra da Casa Civil, Dilma Rousseff, estará em Belo Horizonte para encontros com Aécio e empresários mineiros. O governador articula com o prefeito de Belo Horizonte, Fernando Pimentel (PT), uma visita de Lula a Minas. ?Estamos acertando a agenda?, disse Aécio, mais uma vez demonstrando estar aberto para uma relação de mais ?parcerias? com o presidente.

?Fora do ambiente eleitoral, é claro que existe mais espaço para que os contatos ocorram de forma mais continuada e, da minha parte, haverá sempre a busca de parcerias com o governo federal. É importante para Minas essa proximidade?, afirmou.