Enquanto a CPI do Apagão Aéreo do Senado aprofunda as investigações sobre irregularidades na Infraero, o governo usa sua maioria folgada na Comissão de Inquérito da Câmara e impede a aprovação de qualquer requerimento sobre denúncias de desvios de recursos em contratos da estatal. Depois de ficar três semanas sem votar requerimentos, a CPI do Apagão Aéreo da Câmara reuniu-se nesta terça-feira (10) e derrubou os pedidos de convocação do procurador-geral do Ministério Público junto ao Tribunal de Contas da União, Lucas Furtado, um dos encarregados pelas investigações de irregularidades na Infraero.

Os governistas impediram a aprovação de requerimentos que solicitam auditorias realizadas pelo TCU sobre problemas em contratos da Infraero. Também foram rejeitados três pedidos para que a CPI receba os processos administrativos instaurados pela Controladoria Geral da União (CGU) sobre irregularidades na estatal. Os deputados rejeitaram ainda o requerimento que solicitava à Polícia Federal cópia do depoimento da empresária Silvia Pfeiffer, que acusa diretores da Infraero de corrupção.

"Não entendo nem o governo nem a oposição. Ambos estão fora da realidade, do verdadeiro problema, que é o caos aéreo", observou o deputado Fernando Gabeira (PV-RJ). Para derrubar os requerimentos com o resultado de investigações de irregularidades na Infraero, a tropa de choque governista argumentou que eventuais desvios na estatal não são objeto de apuração da CPI do Apagão da Câmara. Os petistas Cândido Vacarezza (SP) e André Vargas (PR), além de Eduardo Cunha (PMDB-RJ), comandaram o rolo compressor que rejeitou todos os pedidos de aprofundamento das investigações.

O governo também conseguiu derrubar a convocação da ministra do Turismo, Marta Suplicy, e do ministro da Fazenda, Guido Mantega. A oposição defendeu a convocação dos dois ministros que, recentemente, deram declarações polêmicas sobre a crise aérea brasileira. A CPI do Apagão aprovou 45 requerimentos, entres eles o de convocação do presidente da Agência Nacional de Aviação Civil (Anac), Milton Zuanazzi. Amanhã, a CPI da Câmara ouve novamente o diretor do Departamento de Controle do Espaço Aéreo (Decea), brigadeiro Ramon Borges.