Ed Ferreira

Agentes da PF realizam busca e
apreensão de provas sobre
denúncias de corrupção nos Correios.

Brasília – O governo partirá para a "ofensiva" com o objetivo de tentar evitar a formação da comissão parlamentar de inquérito (CPI) dos Correios, até mesmo contra os integrantes da base de apoio que apóiam a investigação no Congresso. A afirmação é do deputado vice-líder do governo na Câmara dos Deputados Beto Albuquerque (PSB-RS), que integra a comitiva do presidente Luiz Inácio Lula da Silva na viagem à Coréia do Sul e Japão. "Guerra é guerra, inimigo é inimigo, e assim será tratado quem está na oposição", disse Beto Albuquerque, logo após desembarcar ontem do avião presidencial, em Seul.

"O governo não está acuado e vai partir para a ofensiva." Segundo ele, o episódio deverá provocar uma "reestruturação" da base de apoio da administração federal. Beto Albuquerque foi um dos poucos integrantes do séquito presidencial que admitiu que a CPI foi um dos temas tratados durante as quase 30 horas de viagem entre Brasília e a capital sul-coreana. A maioria afirmou que foram discutidos "diversos assuntos políticos" e que Lula demonstrou muita descontração durante o vôo.

Nas conversas de bastidores, no entanto, ficou claro que a estratégia do Poder Executivo para tentar evitar a formação de uma CPI dominou boa parte do trajeto.

Mas, caso a CPI seja instalada, acrescentou, o Executivo "está preparado". De acordo com o vice-líder do governo na Câmara, os trabalhos do Legislativo não deverão ser afetados. "Mas é óbvio que uma CPI representa uma sobrecarga e não seria positiva para o Brasil."

Adesão

Dos 13 senadores do PT, sete falam em apoiar a comissão parlamentar de inquérito (CPI) dos Correios. O movimento pró-CPI no Senado levou o líder do partido na Casa, Delcídio Amaral (MA), a marcar uma nova reunião da bancada para discutir o assunto hoje. Ontem, no plenário, lideravam o grupo os senadores Paulo Paim (PT-RS) e Cristóvam Buarque (PT-DF). "Nós do PT tínhamos de estar na ofensiva e não na defensiva", disse Paim, em discurso da tribuna.

Segundo ele, o partido não tem nada a temer, até porque o suposto envolvido em irregularidades na Empresa Brasileira de Correios e Telégrafos (ECT) é de outro legenda, em referência ao presidente nacional do PTB, deputado Roberto Jefferson (RJ). Para Paim, a bancada petista no Senado tem de assumir a missão de preservar o patrimônio do PT em defesa da ética e do combate à corrupção.

Enquanto isso, ontem a Polícia Federal fez operações de busca e apreensão de documentos sobre o suposto esquema de corrupção nos Correios. Os policiais foram na Empresa Brasileira de Correios e Telégrafos (ECT), na casa de Maurício Marinho, ex-chefe do Departamento de Contratação e Administração de Material da estatal, e na de Fernando Godoy, assessor de Antonio Osório, ex-diretor de Administração. Na ECT, as buscas estão concentradas no Departamento de Contratação, no primeiro andar, e na Diretoria de Administração, no 17.º andar, antes chefiadas por Marinho e Osório. A Polícia Federal indiciou três pessoas.