Brasília (AE) – A convenção do PT está marcada para sábado, mas a principal máquina a serviço da reeleição do presidente Luiz Inácio Lula da Silva trabalha em passo acelerado. Com passagem e estada pagas, os 1.500 coordenadores dos Centros de Referência de Assistência Social (Cras), a ponta-de-lança do trabalho do governo junto à população humilde em 1.600 municípios do País, foram levados a Brasília para um encontro encerrado ontem à tarde, após três dias de seminários, palestras e muito teatrinho didático que já foi a glória das pastorais católicas. Nos locais de origem, cidades e localidades estratégicas do ponto de vista da carência social e da riqueza eleitoral, os Cras agrupam 6.600 funcionários às voltas com benefícios diversos e um foco especial no Bolsa Família. ?Esta eleição (presidencial) vai ser o grande teste do sistema,? afirma, sem maiores rodeios, o secretário Nacional de Assistência Social, Oswaldo Russo, principal braço político do Ministério do Desenvolvimento Social e Combate à Fome depois do ministro Patrus Ananias.

Para o secretário Nacional, que teve participação marcante na maioria dos debates e fez o discurso de encerramento, ?o debate vai mostrar quem faz a melhor gestão. Não fazemos troca de votos. Elevamos a assistência à condição de política pública, um direito e não um brinde eleitoral.? Oswaldo Russo costuma recordar um número obrigatório na campanha: em 2002 o governo de Fernando Henrique Cardoso gastou R$ 6 bilhões com assistência social. Lula baterá em R$ 20 bilhões em 2006.

Os coordenadores do CRAS são os profissionais daquele terreno aonde o Estado brasileiro se encontra com a pobreza em sua feiúra e horror. Participam de reuniões com idosos, ouvem donas-de-casa e recebem pedidos de emprego, controlam benefícios e tomam decisões. Nomeados pelas prefeituras, suas opções políticas são variadíssimas: há os eleitores e os inimigos de Lula, os burocratas e os abnegados. Todos reconhecem o potencial eleitoral dos benefícios distribuídos por Brasília. ?Não é preciso pensar muito para reconhecer que a assistência social envolve antes de tudo uma questão política,? afirma Maria del Pillar Ferror, que coordena dez Cras em Santos, num trabalho iniciado há uma década, quando os programas de renda mínima engatinhavam no País.