Brasília – O governo tenta aprovar hoje na Câmara a medida provisória que fixa o salário mínimo em R$ 260. Para garantir a vitória e driblar as resistências de deputados de partidos aliados que ameaçam votar contra o mínimo, o Palácio do Planalto acionou seu rolo compressor político e desencadeou uma operação envolvendo os ministros políticos para convencer os parlamentares a aprovar a MP sem alteração.

Ainda ontem à noite, os líderes governistas pretendiam fazer um mapeamento detalhado do número de votos favoráveis aos R$ 260 em cada bancada aliada. A ordem do Planalto é “tratar como inimigo” quem votar contra o mínimo. Para ajudar nesse convencimento da base aliada, o ministro da Fazenda, Antônio Palocci, conversou de noite com a bancada do PT e o ministro das Comunicações, Eunício Oliveira, se encontrou no fim da tarde com o líder do PMDB, deputado José Borba (PR), para avisar que os peemedebistas têm obrigação de votar com o governo, no qual possuem cargos em todos os escalões. “A base vai votar a favor dos R$ 260”, garantiu o líder do governo na Câmara, deputado professor Luizinho (PT-SP).

Para não correr riscos, o governo só pretende pôr em votação a medida provisória com a presença de, pelo menos, 400 dos 513 deputados. Além disso, a votação do mínimo irá ocorrer em uma sessão extraordinária, na parte da tarde, para não coincidir com o jogo da seleção brasileira contra a Argentina, que começa às 21h40. “Todo mundo quer assistir o jogo”, disse o presidente da Câmara, deputado João Paulo Cunha (PT-SP), que marcou sessão extraordinária para o meio-dia.

As dificuldades na base aliada para aprovar o mínimo começam pelo PT. Dos 90 deputados, 21 ameaçam se rebelar e não aprovar os R$ 260. O líder do PT, deputado Arlindo Chinaglia (SP), marcou para ontem à noite reunião com a bancada, com a presença de Palocci. A idéia é que o ministro dê argumentos convincentes para reduzir ao máximo o número de dissidências entre os petistas. O PSB também reuniria sua bancada para tratar do mínimo – a bancada está dividida e a expectativa é que 10 do total de 20 deputados votem contra o governo. No PMDB, a estimativa era que 25 do total de 78 deputados votem contra o minímo de R$ 260. O líder do PPS, deputado Júlio Delgado (MG), foi um dos poucos que se posicionou contrário à votação da MP.

“Não tem garantia de maioria no PPS”, alertou. Antes da votação do mínimo, ele quer que o governo garanta uma política de recomposição do salário mínimo. Uma das preocupações dos aliados é com a votação da MP no Senado. Os governistas não querem correr o risco de aprovar os R$ 260 e o governo negociar com os senadores um valor maior para o mínimo. “Queremos a garantia que a base no Senado vá confirmar a decisão da Câmara”, afirmou o líder do PSB, deputado Renato Casagrande (ES). O ministro da Coordenação Política, Aldo Rebelo, se encarregou de acertar com a base aliada do Senado manter o mínimo aprovado pela Câmara.