Brasília – Por determinação do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, o comando político do governo não vai interferir na disputa política na base aliada pela reeleição das mesas da Câmara e do Senado.

A ordem é deixar a bancada do PMDB no Senado definir este assunto. Avaliação feita, no Palácio do Planalto, é de que o líder da bancada, senador Renan Calheiros (PMDB-AL), tem a maioria para derrotar a emenda da reeleição e com isso impedir o presidente do Senado, José Sarney (PMDB-AP), de conseguir um novo mandato para os dois próximos anos.

Segundo um ministro do núcleo duro do governo, a briga no Senado pelo comando da casa já é considerada a principal crise política depois do caso Waldomiro Diniz. O temor de Lula é de que a disputa acabe causando uma divisão no partido, o que enfraqueceria o apoio do partido ao governo. O PMDB já é considerado no Planalto o principal partido de apoio da base aliada depois do PT. Por isso, a decisão do presidente é de não interferir na briga entre Renan e Sarney. Essa opinião está sendo defendida em reuniões palacianas pelo líder do governo, senador Aloizio Mercadante (PT-SP).

Um mapeamento feito recentemente pelo Palácio do Planalto constatou que Sarney está sem apoio no próprio PMDB, o que pode dificultar e muito a aprovação da emenda da reeleição na Casa, até porque são necessários três quintos dos 81 senadores. Já se posicionaram contra a reeleição as bancadas do PT, PPS, PDT e PSDB. Parte expressiva do PFL também é contra.

Lula também avalia, segundo assessores, que Renan movimentou-se bem nas últimas semanas. Isso porque conseguiu neutralizar os planos de Sarney ao cobrar publicamente o acordo fechado em janeiro de 2003 com o chefe da Casa Civil, José Dirceu, de que seria o candidato do governo à presidência do Senado no próximo ano. O governo está ciente, porém, que terá de compensar o eventual derrotado com um espaço generoso no governo. Renan voltou a cobrar o acordo.