Laudo 6160, do Núcleo de Criminalística da Polícia Federal, revela conteúdo de grampo supostamente ilegal encontrado com o delegado Protógenes Pinheiro Queiroz, mentor da Operação Satiagraha. Duas pessoas, não identificadas pela PF, conversam sobre os bastidores da investigação que levou o banqueiro Daniel Dantas para a prisão, em julho. Os interlocutores – M1 e F1, assim nomeados pelos peritos para facilitar a compreensão do diálogo – falam de um juiz, de quem o nome não é citado, que estaria preocupado com os rumos do inquérito e a sucessão interminável de grampos.

Eles também se referem a Daniel Lorenz, delegado-chefe da Inteligência da PF e, na ocasião, superior de Protógenes. Lorenz teria recebido telefonema do magistrado, que reclamou de Protógenes. “O juiz ligou pro chefe dele pra fazer queixa dele”, diz F1. “Dizendo que ele tava prometendo relatório, prometendo, prometendo e não entregava e que a operação tinha que acabar porque aqueles grampos não podiam continuar indefinidamente.”

O alvo central do diálogo, de 7 minutos e 40 segundos, é o próprio delegado, agora suspeito de ter permitido o vazamento de dados secretos da missão contra o dono do Grupo Opportunity. A gravação indica que Protógenes estaria demorando demais para apresentar relatórios de investigação da Satiagraha.

Três peritos da PF transcreveram o áudio de uma fita microcassete recolhida na manhã de 5 de novembro por ordem judicial. A fita contém aproximadamente duas horas de conversas envolvendo diversas pessoas, em datas diferentes. A PF suspeita que todos os grampos desta fita foram executados clandestinamente. A maioria dos diálogos foi captada ainda no primeiro semestre de 2008.

O laudo integra o inquérito da Corregedoria da PF que coloca Protógenes como suspeito pelo vazamento da Satiagraha e por supostos abusos, como a quebra de sigilo funcional e violação à Lei da Interceptação. Cópia do laudo foi entregue à Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) dos Grampos, na Câmara.