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A categoria rejeitou a proposta de reajuste de 43,9% do Governo Federal e decidiu manter a paralisação.

Hoje comemora-se o Dia Mundial do Trabalho. De acordo com informações do site Cultura Brasil (www.culturabrasil.pro.br), a data foi criada em 1889, por um Congresso Socialista realizado em Paris, em homenagem à greve geral, que aconteceu em 1º de maio de 1886, em Chicago, o principal centro industrial dos Estados Unidos naquela época.

Na ocasião, milhares de trabalhadores foram às ruas para protestar contra as condições de trabalho desumanas a que eram submetidos e exigir a redução da jornada de trabalho de 13 para 8 horas diárias. Naquele dia, manifestações, passeatas, piquetes e discursos movimentaram a cidade, no entanto, houve uma dura repressão ao movimento, com prisões, vários feridos e mortos por causa dos confrontos entre os operários e a polícia.

Desde então, a data foi instituída como o Dia Mundial do Trabalho, em memória dos mártires de Chicago que lutaram pelos direitos dos trabalhadores.

Deixando os fatos históricos de lado, aqui no Brasil a data marca também o 45º dia de paralização dos Auditores Fiscais da Receita Federal. Em greve desde o dia 18 de março, os auditores exigem um aumento no piso da categoria de R$ 10.155,52 para R$ 11.614,10, e o teto, de R$ 13.382,26 para R$ 16.683,98.

Neste mês o Governo Federal ofereceu reajuste de 43,9% para os servidores com salário teto, e de 41,7% para aqueles que ganham o salário inicial. Eles seriam aplicados até 2010, sempre no mês de julho. Na ocasião o ministro do Planejamento, Paulo Bernardo afirmou que o Governo não teria como fugir desses parâmetros.

?Não temos como evoluir. Não temos como avançar. Porque nós não estamos negociando só com os auditores, nós estamos negociando com outras categorias que têm como referência o salário deles?, afirmou o ministro.

Apesar das argumentações, a categoria rejeitou a proposta e decidiu manter a paralisação. Por causa do impasse entre Governo e trabalhadores, alguns setores já começam a divulgar seus prejuízos por conta da greve. A Federação das Empresas de Transporte de Cargas do Paraná (Fetranspar) se manifestou dizendo que só em transporte as empresas têm 5 milhões de dólares parados. ?Não são só perdas em dinheiro, são também perdas morais para as empresas?, comentou o presidente da Fetranspar, Sérgio Malucelli.

Para a Associação Brasileira de Transportadores Internacionais (ABTI), as perdas no setor já chegam a 30 milhões de dólares. A Eletros (Associação Nacional de Fabricantes de Produtos Eletroeletrônicos) divulgou que já registrou um prejuízo de um bilhão de dólares em todo o país por conta da paralisação. A Federação das Indústrias do Estado do Paraná (Fiep) já conseguiu na Justiça três liminares para tentar garantir a liberação de cargas nos portos de Paranaguá (litoral do Paraná) e São Francisco de Sul e Itajaí (ambos em Santa Catarina).

Ainda de acordo com a FIEP, a greve dos auditores prejudica balança comercial do Paraná, uma vez que o desempenho do comércio exterior do Estado no mês de março ficou muito abaixo da média dos últimos meses, tanto nas exportações quanto nas importações. Estas informações foram dadas na segunda-feira (28) pelo Departamento Econômico da Federação das Indústrias do Estado do Paraná (Fiep).

Importação e Exportação

Segundo a entidade a importação, que havia crescido 69,40% em janeiro e 102,47% em fevereiro, em relação ao mesmo período do ano anterior, teve uma expansão de apenas 13,41% em março, também comparativamente a 2007. A exportação de produtos paranaenses também caiu significativamente em março, com uma evolução de apenas 9,63% em relação ao ano anterior, ao passo que em janeiro e fevereiro os aumentos registrados haviam sido de 55,15% e 28,01% respectivamente.

Enquanto isso, os contribuintes aguardam o fim desta novela.