O saldo da balança comercial poderia ter sido US$ 1,2 bilhão maior não fosse a greve dos auditores fiscais. A afirmação é de Weber Barral, do Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior. A diferença de exportações menos importações, em abril, foi de US$ 1,744 bilhão. Os números foram comentados Na sexta-feira (2) por Barral, titular da secretaria de Comércio Exterior.

Segundo ele, no mês passado, várias solicitações de exportação não tiveram despacho da Receita Federal, por conta da greve. Dentre elas a de petróleo, no valor de US$ 600 milhões; de soja em grão, que totalizava mais de US$ 300 milhões; de farelo de soja em grão, num total de US$ 200 milhões; e de minério de ferro, no valor de US$ 120 milhões.

Barral ressaltou que as exportações continuam crescendo num bom ritmo, tendo registrado evolução de 15,2% nos últimos 12 meses. Ele lembrou que, no entanto, as importações cresceram bem mais, tendo alcançado 38% de crescimento no mesmo período, em função, principalmente, da desvalorização do dólar norte-americano em relação ao real.

Segundo ele, as vendas de produtos brasileiros cresceram em quase todos os países, no mês passado, exceto nos Estados Unidos epicentro da crise financeira do mercado imobiliário de risco (subprime). Em abril, houve redução de 20% das vendas brasileiras para aquele país, equivalentes a US$ 182 milhões.

Barral ressaltou, contudo, que os Estados Unidos são "nosso principal parceiro comercial e devem se manter como tal". Segundo o secretário, a redução das exportações para o país se deu em virtude do petróleo solicitado e não despachado.

Ele disse ainda que a elevação do Brasil ao grau de investimento contribui para a desvalorização cambial, mas ressaltou que câmbio é "apenas um dos fatores que facilitam as importações", e pode ter ainda outro efeito, na avaliação do secretário, que é a entrada de capital produtivo no país.

O secretário lembrou que vários países têm câmbio elevado, como a Alemanha, e continuam com grandes exportações porque têm alta competitividade industrial. Para ele, o Brasil precisa de uma logística mais eficiente, um sistema tributário mais claro e mais incentivos s exportações. Barral destacou que, nesse sentido, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva divulgará, no próximo dia 12, a nova política industrial, com 40 medidas de apoio indústria brasileira.