Segurança, saúde e educação. Esses são os três eixos prioritários das reivindicações do grupo homossexual e negro. É o que afirma a integrante da Rede Afro LGBT, de Salvador, Negra Cris, que participa da comissão organizadora da 1ª Conferência Nacional de Gays, Lésbicas, Bissexuais, Travestis e Transexuais, que termina neste domnigo (8), em Brasília.

As reivindicações não são muito diferentes daquelas que são feitas por outros segmentos homossexuais ou outros segmentos negros. No entanto, elas pensam a marginalização com as duas causas combinadas. "Ser negro e negra e homossexual é sofrer uma dupla discriminação, pelo fato da questão racial e de discriminação sexual", diz.

No que diz respeito segurança, Negra Cris ressalta duas formas de violência que o negro ou negra homossexual sofre. Uma é contra os jovens, "principalmente por parte da polícia. E quando o jovem é transsexual ou travesti, essa violência aumenta". A outra forma que, segundo ela, precisa de ações específicas para ser combatida é a violência contra aquelas pessoas que são profissionais do sexo.

Na pauta do movimento, junto com o combate violência anda a educação. A ativista lembra que existe uma necessidade de se implantar medidas para que as pessoas se conscientizem de que todos são iguais e não devem ser marginalizados, seja pela cor da pele, seja pela orientação sexual ou pela identidade de gênero.

"Nós queremos que seja implementada uma lei que garanta, desde a educação infantil, a discussão em torno da educação sexual e identidade de gênero, e que ela possa trazer combinada a questão da diversidade racial também", afirma Negra Cris.

O terceiro ponto prioritário de reivindicação, a saúde, tem a ver com a capacitação e a conscientização dos profissionais em saúde, especialmente no Sistema Único de Saúde (SUS), para atender o público homossexual. De acordo com Negra Cris, a maior parte das lésbicas acaba utilizando o serviço prestado pelo SUS "E não temos um atendimento muitas vezes humanizado quando vamos ao ginecologista, porque a maioria dos profissionais da saúde têm uma maneira heteronormativa [ligada a normas de comportamento heterossexual] para tratar dessa mulher", destaca.

Ela diz que os médicos, enfermeiras e atendentes não estão preparados para entender as especificidades de uma paciente que não tem relações com um homem. Negra Cris também destaca que a questão não é querer um tratamento diferenciado, especial."Não é um tratamento específico por ser lésbica, mas humanizado, quando eu disser a ele que eu tenho relações com uma outra mulher", conclui.

A Rede Afro LGBT é um grupo formado por pessoas de todo o país, que tem suas ações de discussão feitas principalmente via internet. Segundo Negra Cris, é mais um espaço de formação, além de discutir reivindicações, pois não há ainda dados que especifiquem características do público homossexual e negro. A ação da Rede se dá, de acordo com ela, principalmente pela representação em espaços de debate, como a organização da conferência, e uma representação dentro da Organização dos Estados Americanos (OEA).