O prefeito Fernando Haddad (PT) nomeou nesta segunda-feira, 17, o deputado estadual e secretário nacional de Comunicação do PT, José Américo, para assumir a Secretaria de Relações Governamentais. O cargo estava vago desde a ida do ex-ministro da Saúde Alexandre Padilha para a Secretaria Municipal da Saúde, no lugar do ex-prefeito de Diadema, no ABC, José di Fillipi Júnior, demitido do posto.

A medida tenta apaziguar a relação entre diferentes correntes petista em conflito indireto na capital, que frequentemente respinga no próprio prefeito.

Américo, presidente da Câmara Municipal até 2013, deixou o posto para assumir cargo de deputado estadual. Sua saída abriu espaço para Antonio Donato (PT) assumir o posto.

Américo e Donato são da corrente Novo Rumo do PT, que inclui a maioria dos vereadores do partido na Câmara, mas que não tinha nenhum representante na Prefeitura — fato que ganhava mais peso, na avaliação do partido, pelo fato de que há seis secretários filiados à legenda no governo Haddad. “A inclusão de um nome do grupo era uma reivindicação antiga. Américo é uma boa escolha ao cargo por seus méritos”, disse Donato.

A escolha de Américo, entretanto, não foi uma decisão de toda a bancada. Arselino Tatto, líder do PT na Câmara, soube da nomeação pela reportagem. “Não tenho nada a comentar”, disse o vereador, sem esconder a surpresa. A função do secretário de Relações Governamentais é justamente intermediar a relação do Executivo com o Legislativo.

Petistas ouvidos pela reportagem disseram esperar que, com chegada de Américo, Haddad também consiga acelerar a aprovação de projetos no Tribunal de Contas do Município (TCM). O conselheiro João Antônio, que deixou o PT quando foi para o TCM e também chegou a ser justamente secretário de Relações Governamentais de Haddad, é aliado histórico de Américo e Donato. Em sua mesa, aguardando aprovação, estão duas das principais esperanças da gestão Haddad em chegar nas eleições com vitrines políticas fortes: os projetos que trocam as lâmpadas da cidade por luzes de LED e a licitação de corredores de ônibus entre as zonas sul e leste da capital.

Entre os críticos à mudança, a reclamação maior é com relação ao trabalho desenvolvido por Américo no partido. “A comunicação do PT não vive seus melhores momentos”, disse um aliado que questionou a nomeação. A comunicação de Haddad também é alvo constante de aliados na Câmara.

A reportagem tentou contato com o novo secretário, mas ele não atendeu o telefone até a noite desta segunda-feira.