Depois de fazer a família refém por mais de quatro horas na tarde de ontem, um homem surdo matou a mulher na casa da família na Vila Nova Perus, zona norte de São Paulo. A filha foi libertada e ele se entregou à noite. Na saída, vizinhos gritavam pedindo o linchamento dele. A Polícia Militar fez um cordão de isolamento para que o homem fosse levado à delegacia.

Até as 22h30, a PM não sabia informar qual fora a motivação do crime, que aconteceu no sobrado número 115 da Rua Violeta Silvestre. O advogado João Francisco Alves de Souza estava no 46.º Distrito Policial tentando compreender o cliente, José Milton Cardoso, sem ajuda de um intérprete.

O policiamento de área foi acionado por volta das 16h30. Depois, homens do Grupo de Ações Táticas Especiais (Gate) também foram para o local e assumiram as negociações. A filha, de 12 anos, apesar de refém, foi quem ajudou na comunicação entre Cardoso e os policiais. Ela passou o tempo todo com uma arma apontada para o rosto, mas tinha de curvar a cabeça para fazer a leitura labial e compreender o que o pai dizia. E era pelos leitura dos lábios dela que ele sabia o que os policiais diziam.