Lula: presidente está
com o prestígio em alta.

Brasília – A avaliação do governo Lula melhorou em todos os itens pesquisados pelo Ibope, segundo levantamento divulgado ontem, pela Confederação Nacional da Indústria (CNI). De junho, mês em que foi divulgada a última pesquisa CNI/Ibope, para setembro, subiu de 29% para 38% o percentual de entrevistados que avaliam o governo Lula como ótimo ou bom.

O crescimento da economia brasileira fez com que a confiança no presidente Lula aumentasse em setembro, interrompendo um movimento de queda registrado desde junho de 2003. A avaliação ruim e péssimo caiu de 26% para 19% e a regular, de 42% para 40%. O saldo entre avaliação positiva e negativa subiu de 3 pontos em junho para 19 em setembro. A pesquisa divulgada ontem confirma o crescimento da popularidade do presidente. Em agosto, com os primeiros sinais da retomada do crescimento econômico, a avaliação positiva do governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva subiu de 29,4% em junho para 38,2%, segundo pesquisa do Instituto Sensus, encomendada pela Confederação Nacional dos Transportes (CNT).

Segundo a pesquisa CNI/Ibope, a aprovação ao governo subiu de 51% para 55% e a desaprovação caiu de 42% para 36%. Com isso, o saldo entre aprovação e desaprovação subiu de 9 pontos em junho para 19 em setembro. A confiança no presidente Lula também subiu de 54% para 58%. Já o percentual de entrevistados que não confiam no presidente caiu de 43% para 37%.

A avaliação positiva do presidente, em comparação com o perído anterior à posse, subiu de 24% em junho para 31% em setembro. Já o percentual dos que acham que não mudou nada subiu de 35% para 38%. Outros 28% baixaram sua avaliação em relação ao período anterior à posse, contra 39% na pesquisa de junho.

O instituto de pesquisa entrevistou 2.002 eleitores acima de 16 anos em 140 municípios brasileiros entre os dias 9 e 14 de setembro. A margem de erro da pesquisa é de 2,2 pontos percentuais.

A pesquisa mostra que houve um significativo aumento no percentual de entrevistados que consideram o governo Lula melhor que o de Fernando Henrique Cardoso. De acordo com o levantamento, subiu de 42% em junho para 49% em setembro o percentual de entrevistados que consideram o governo Lula melhor que o de FH. O percentual de entrevistados que consideram o governo Lula pior caiu de 26% para 20%, enquanto o percentual dos que acham os dois governo iguais ficou praticamente estável, caindo de 29% para 28%.

Lula entra na campanha de Marta

Brasília – Com a popularidade em alta, confirmada ontem por pesquisa do Ibope, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva deve entrar mesmo na campanha de Marta Suplicy à Prefeitura de São Paulo. Neste sábado, Lula vistoria as obras da Radial Leste ao lado da prefeita. A imagem dos dois deve ser usada no programa eleitoral de Marta, mas Lula só deve gravar sua participação no programa no segundo turno das eleições.

A decisão de participar diretamente da campanha foi tomada em reunião realizada na manhã de ontem, no Palácio da Alvorada. Em entrevista concedida ontem, Marta Suplicy negou que o governo federal privilegie sua administração. Segundo ela, o governo do ex-presidente FHC é que prejudicava seu governo. Marta Suplicy disse que há uma grande afinidade entre ela, o presidente e seus governos. “É muita sorte ter essa afinidade com o presidente”, afirmou.

Mas a decisão causou alvoroço e desencontros dentro do PT. Se Lula entrar na campanha e Marta perder, o prestígio do presidente pode sair arranhado. Por isso, o presidente do PT, José Genoino, disse ontem que o presidente não vai participar da campanha de nenhum candidato nas eleições municipais, nem da prefeita Marta Suplicy. Genoino observou, no entanto, que Lula pode participar de vistoria de obras, mas garantiu que ele não vai subir em palanque, fazer corpo-a-corpo, caminhadas ou gravações para os candidatos. “Pode escrever: o Lula não vai fazer campanha de ninguém. Nem da Marta”, afirmou.

Genoíno comemorou o resultado da pesquisa CNI/Ibope, mas recomendou cautela. “Eu disse em julho que o PT ia começar a campanha em todo o País num momento em que o governo estaria com uma avaliação positiva. Isso está se comprovando com os números da nova pesquisa, mas não devemos federalizar as eleições. O Lula não precisa aparecer”, afirmou.

Na quarta-feira, o presidente da Câmara, João Paulo Cunha (PT-SP), havia recomendado ao presidente manter distância das campanhas municipais. “Se eu pudesse falar para o presidente, eu diria: presidente, não se meta nas eleições municipais”, disse João Paulo.