Igreja pede reformas profundas para
acabar com a miséria no Brasil.

São Paulo

– O Grito dos Excluídos vai dedicar sua atenção neste ano à crítica da política econômica do governo de Luiz Inácio Lula da Silva. Celebrada sempre no dia 7 de setembro, esta será a décima edição do Grito. Ele faz parte do calendário da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB) e sempre teve o apoio do PT.

Em artigo sobre a celebração deste ano, divulgado pela internet, o bispo d. Aldo Pagotto, presidente da Comissão para o Serviço da Caridade, da Justiça e da Paz da CNBB, afirma: “O Grito dos Excluídos não é de revolta, mas de uma profunda dor, gerada por expectativas frustradas, acompanhada de esperança, de compromisso histórico”. Em outro artigo sobre o tema, d. Demétrio Valentini, da Diocese de Jales, no interior de São Paulo, insiste: “O Grito expressa a urgência de iniciativas diante da gravidade da situação vivida pelos excluídos, que descobrem seu protagonismo e convocam para a solidariedade”.

Segundo d. Aldo, arcebispo da Paraíba, o País padece com a falta de um projeto nacional de desenvolvimento integrado e de reformas profundas. Para ele, as reformas feitas até agora “não passam de políticas de compensação, agradando mais às elites que sempre dominaram o País”.

O que a Igreja deseja, segundo o bispo, “são propostas concretas para fazer o Brasil voltar a crescer, começando pelo investimento em educação, em saúde, na geração de trabalho, com garantias de ocupação e renda. Basta de paliativos”. O Grito dos Excluídos foi criado em 1995, no contexto da Romaria dos Trabalhadores, e o tema de sua manifestação inaugural foi A vida em primeiro lugar. No ano seguinte passou a fazer do calendário da CNBB.

A cada ano denuncia a exclusão social, decorrente da concentração de renda, e a ausência de políticas de inclusão. Um dos temas nas manifestações mais recentes é o combate à proposta de criação da Área de Livre Comércio das Américas. Segundo d. Demétrio, “o Grito alerta contra a dissolução das identidades nacionais e das políticas públicas em nome duma eficiência econômica que só contempla interesses corporativos do capital transnacional”.

Estão previstas para hoje manifestações contra a política econômica em diferentes partes do País. Em seu artigo, o arcebispo da Paraíba adverte que o Grito não deve ser confundido como passeata de protesto: “Nosso objetivo é instaurar um processo permanente de reflexão com lideranças que se comprometem com mudanças urgentes em nosso País”.