São Paulo

(Das agências) – Especialistas em pesquisas consultados pela Época afirmam que as amostragens recentes que apontam queda de Ciro Gomes deixam claro que o candidato da Frente Trabalhista começa a ser visto por uma fatia dos brasileiros como ?mentiroso e destemperado?, acusações lançadas por José Serra no debate da TV Bandeirantes. Ciro perdeu mais intenções de voto entre os eleitores das capitais, mais ricos e escolarizados. São também os mais influentes, que irradiam convicções para as camadas de baixo. Ouvia-se muito na semana passada essa queda de Ciro ser comparada à de um objeto de metal atirado sobre uma lagoa. ?Ele afunda rapidamente, espalhando ondas a sua volta?, diz um desses especialistas. A velocidade é um traço que impressiona na trajetória do candidato. Mas não é o dado mais importante. Só nos próximos levantamentos se poderá conferir a profundidade do declínio. Ciro Gomes precisa cair bem mais do que na semana passada, estima-se, para que o segundo lugar corra risco. A pesquisa apurou que os eleitores juntaram queixas definidas contra o candidato da Frente Trabalhista. Não gostaram de saber que não disse a verdade sobre sua vida escolar. Também desconfiam de seus bate-bocas com jornalistas e empresários.

Mas a verdadeira batalha pelo primeiro turno começa nesta terça-feira, com os programas na televisão. E ao final vai apontar quais os dois candidatos vão para o segundo turno. O quadro pode mudar em decorrência de uma apresentação bem sucedida ou infeliz. Até hoje, dirigentes petistas acreditam que o naufrágio da candidatura Lula em 1994 teria sido menor se o petista não tivesse estreado na TV com uma idéia infeliz, pedindo aos eleitores que se vestissem de branco. No mesmo dia, FHC se apresentou como o pai do real e deslanchou para a vitória no primeiro turno. ?Tradicionalmente, os primeiros programas são os de maior impacto?, diz o sociólogo Antônio Lavareda, que trabalhou com FHC em 1994 e em 1998 e está hoje na equipe de Serra. ?As pesquisas do começo de setembro, um mês antes da eleição, já vão mostrar a tendência do eleitorado?, diz.

Para este confronto, os candidatos prepararam um arsenal de truques. Lula será apresentado como o político talhado para a negociação. Pretende se mostrar como estadista e não se envolver na briga entre Ciro e Serra. Numa revisão biográfica, seu passado de líder grevista será substituído por imagens de negociações com empresários. Ciro planeja passar a estampa do administrador experiente, que levanta a voz em defesa de princípios, e não por destempero. O esforço será, pelo menos no início, ignorar ataques e demonstrar que já polarizou a eleição com Lula. Serra prepara uma reviravolta nas pesquisas armado no tripé da experiência como ministro, do aval do presidente FHC e de uma continuada investida contra Ciro.