Quarenta e seis pessoas morreram atingidas por raios no País em 2007, número 37% menor que o total registrado no ano anterior. Ainda assim, o Brasil continua sendo campeão mundial na incidência de raios, com cerca de 50 milhões de descargas elétricas todos os anos, segundo o Grupo de Eletricidade Atmosférica do Inpe (Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais), que faz avaliações diárias das descargas. O período com maior incidência vai de dezembro a março.

O fenômeno começou a ser quantificado pelo Inpe em 1999. Segundo o instituto, a região Sudeste do País terá mais raios neste verão. "Para chegarmos a essa conclusão analisamos o volume de descargas dos últimos anos. O estudo é baseado em fatos registrados desde 1999 e não em modelos matemáticos, como é feita a previsão do tempo", explicou o pesquisador Osmar Pinto Júnior, especialista no assunto e chefe do departamento no Inpe. De três pontos analisados – a primavera dos últimos anos, a influência do fenômeno La Niña e a previsão climática deste verão – levaram os pesquisadores a concluir que até março os quatro estados do Sudeste devem registrar maior número de raios.

"Em 2001 tivemos a influência do La Niña e notamos um crescimento nas descargas atmosféricas", disse Pinto Júnior. O La Niña, que é a redução da temperatura das águas do oceano Pacífico Equatorial, influencia a temperatura no País, assim como em todo planeta, porque o resfriamento das águas modifica a circulação dos ventos. "Outro fator é a própria previsão do tempo que indica temperaturas pouco acima da média histórica aliada a precipitações", observou o pesquisador. Dos 50 milhões de raios que caem no Brasil, 70% se concentram no verão. "Já o calor aliado à poluição contribui para que os raios caiam mais nos grandes centros", acrescenta.

Ficar em campos abertos como jardins, praias ou mesmo na rua durante tempestades é um grande risco. Das mortes registradas todos os anos, 90% ocorreram em locais abertos. As 46 mortes registradas no ano passado podem não representar a realidade já que muitas não são registradas. Apesar da redução de 37%, as regiões onde mais ocorrem acidentes com raios (Sul, Sudeste e Centro-Oeste) tiveram redução de somente 15% do número de descargas. Segundo o levantamento, São Paulo detém o maior número de casos, cerca de 30%.