Criticada pelo alto custo e pela ineficiência das ações de socorro feitas em operadoras de saúde com problemas financeiros, a Agência Nacional de Saúde Suplementar (ANS) escolheu uma pessoa acusada de estelionato e de falsificação de documentos para atuar como interventor em uma cooperativa de dentistas.

Marcelo Lima dos Anjos foi nomeado em junho de 2009 para acompanhar a operação de resgate financeiro da Odontus Cooperativa dos Odontólogos, no Distrito Federal. O fato de Anjos ter sido preso um ano antes sob acusação de estelionato não impediu a sua indicação, aprovada em reunião por todos os diretores da agência.

Procurada, a ANS informou que os documentos de Anjos não indicavam condenações. Em 2009, durante o período em que atuou no posto como diretor fiscal, Anjos teve R$ 62,7 mil depositados em sua conta pela agência. Além de desconhecer as acusações, a ANS não acompanhou de perto seu “interventor”. Na sexta-feira passada, procurada pela reportagem, a agência afirmou que o mandato de Anjos fora renovado até julho de 2011.

Confrontada com a informação de que Anjos não aparecia na cooperativa desde meados do ano passado, a ANS mudou de versão. Disse que havia se enganado e outra pessoa estava exercendo o posto de diretor fiscal da cooperativa. Não informou, porém, o nome do novo funcionário.

Golpe

O currículo de Anjos que a ANS apresentou é semelhante ao que está no processo de estelionato que corre contra ele na 4.ª Vara Criminal de Brasília. Entre as qualificações, está a de que ele foi professor da Universidade de Brasília. Ele foi preso justamente na época em que chefiava uma comissão na Fundação de Estudos e Pesquisas em Administração e Desenvolvimento (Fepad), ligada à universidade, sob a acusação de não ter diploma e de preparar um golpe contra a fundação.

Atualmente trabalhando numa empresa em Formosa (GO), Anjos confirmou ao Estado sua atuação na ANS. “Eu respondo ao processo de estelionato, mas não fui condenado. Essa é uma acusação. Tive outras na Bahia, que foram arquivadas. Isso não me impede de trabalhar.” Ele disse ter cursado a graduação no Centro Universitário da Bahia, embora a instituição tenha negado esse fato em ofício enviado à Justiça. As informações são do jornal O Estado de S. Paulo.