A implosão da Casa de Detenção de São Paulo, o Carandiru do cinema, do massacre de 111 presos e das fugas e rebeliões, foi superfaturada. Essa é a conclusão de investigação feita pela Corregedoria-Geral da Administração de São Paulo. O prejuízo aos cofres públicos na obra que transformou em pó o maior presídio da América Latina ainda não foi totalmente calculado, mas a corregedoria já constatou que ele chega pelo menos a R$ 547 mil.

Esse valor se refere somente aos serviços que foram averiguados, pois o órgão reconhece não ter conhecimento técnico para verificar todos os itens contratados. Ou seja: o rombo pode ser maior. Toda a documentação está com o Ministério Público Estadual (MPE). A licitação foi feita pela Secretaria da Administração Penitenciária (SAP) e vencida pela construtora H. Guedes. Previa um gasto de R$ 7,6 milhões. Estranhando o valor fixado pela SAP, a Companhia Paulista de Obras e Serviços (CPOS) decidiu apurar. Concluiu que o valor estava superfaturado em R$ 3,5 milhões. A direção da CPOS fez uma representação à corregedoria, que passou a investigar o caso. Com a denúncia, o governo decidiu saber quem estava com a razão: a SAP ou a CPOS.

Nesse meio tempo, o contrato foi aditado e seu valor, reduzido para R$ 5,2 milhões, pois se decidiu implodir só três pavilhões: o 6º, o 8º e o 9º. Mesmo assim, segundo a CPOS, o contrato estava superfaturado em R$ 2,9 milhões. Novo aditamento foi feito, e o valor baixou para R$ 3,1 milhões. Optou-se pela manutenção do contrato. A implosão saiu em 9 de dezembro de 2002. Enquanto isso, a apuração da corregedoria prosseguiu.

As informações são do jornal O Estado de S. Paulo