Menos de dois dias depois da renúncia de Joaquim Roriz (PMDB-DF) o Senado mergulhou em uma polêmica que mostra como será difícil a posse do suplente dele, Gim Argello (PTB-DF). Há uma dúvida jurídica: saber se irregularidades cometidas antes da posse podem ou não fundamentar a abertura de um processo por quebra de decoro parlamentar. Mas, mais do que isso, já existe a certeza de que as denúncias contra Argello ?não vão deixá-lo em paz?, como diz o senador Pedro Simon (PMDB-RS).

Um sinal claro do risco que corre o futuro mandato de Argello é o fato de o terceiro suplente do senador Roriz, o engenheiro Marcos de Almeida Castro, já vir mantendo contatos com senadores interessados em ?conhecê-lo melhor?. Castro encontrou-se, entre outros, com o senador José Sarney (PMDB-AP). Argello é investigado pelo Ministério Público por suspeita de corrupção, grilagem e improbidade administrativa. Também é personagem do episódio que precipitou a renúncia de Roriz.

O corregedor do Senado, Romeu Tuma (DEM-SP), é enfático ao assegurar que as denúncias contra Argello – uma delas quando já ocupava a vaga de suplente – são motivo mais do que suficiente para que responda a representação por falta de decoro. Para Tuma o debate sobre decoro parlamentar deveria até excluir o termo ?parlamentar? – ele entende que o decoro deve prevalecer não apenas diante de mandatos eletivos. ?Se não for assim, a gente tem de tomar cuidado para que o mandato não sirva para acobertar a bandidagem?, disse.

As informações são do jornal O Estado de S. Paulo