Partidos de oposição consideram que a investigação do vazamento do suposto dossiê sobre gastos com cartões corporativos do ex-presidente Fernando Henrique Cardoso e da sua mulher, Ruth Cardoso, procura esconder o fato principal: a elaboração do próprio dossiê. "O governo está preocupado em saber quem viu o assassinato e não quem assassinou", afirmou o líder do PSDB no Senado, Arthur Virgílio (AM).

A investigação da Polícia Federal, a pedido da ministra da Casa Civil, Dilma Rousseff, foi considerada uma "farsa" e demonstra mais uma vez o uso da máquina pública para fins políticos, na opinião de oposicionistas. Virgílio argumentou que a opinião pública precisa saber quem fez o suposto dossiê. "O que é fato é fato, queremos investigar os cartões presidenciais e, inclusive, até quem vazou, mas sobretudo quem fez o dossiê. Investigar apenas o vazamento não satisfaz a nenhum analista de bom senso."

O presidente do DEM, deputado Rodrigo Maia (RJ), avaliou que a situação da ministra é "insustentável". Segundo ele, assim como o ex-ministro da Fazenda Antonio Palocci teve de sair do cargo depois de acusado por suposto uso do cargo para quebrar ilegalmente o sigilo bancário do caseiro Francenildo Costa, a ministra vai acabar tendo de deixar a chefia da Casa Civil. Ele acusou a ministra de estar usando a PF para tentar esconder o fato principal do caso. "Vai-se atrás de tentar desvirtuar o fato relevante, que é o crime que ela (Dilma) cometeu", afirmou.

A mesma avaliação é feita pelo líder do DEM na Câmara, Antonio Carlos Magalhães Neto (BA). Ele entende que o episódio deixa claro o uso da máquina pública para atender a fins políticos do PT. "É um absurdo e uma falta de bom senso pensar que o vazamento é mais importante do que a elaboração do dossiê", afirmou ACM Neto. Ele defende que a investigação seja, em primeiro lugar, para apurar quem produziu o suposto dossiê. "Isso mostra que o governo não tem escrúpulos nem limite na utilização do poder do Estado. É mais uma tentativa de intimidar a oposição", afirmou ACM Neto.

O líder do DEM no Senado, Agripino Maia (RN), também criticou: "Encontraram uma fórmula de pôr a Polícia Federal para investigar não o que é preciso, mas o que eles querem."

A defesa da investigação da PF foi feita pelo líder do PT na Câmara, deputado Maurício Rands (PE). Ele repetiu a versão da ministra Dilma Rousseff, que em entrevista coletiva na sexta-feira (4) disse que o crime reside no vazamento da informação e não na elaboração de um dossiê. "Fazer um banco de dados é obrigação de qualquer ocupante da Casa Civil e não há irregularidade nisso. A irregularidade é o vazamento", afirmou Rands.