O governador de Minas Gerais, Itamar Franco (sem partido), deverá mesmo ser o embaixador do Brasil em Roma, no caso de uma vitória petista no domingo. A negociação foi fechada nos últimos encontros de Lula com Itamar. Primeiro, em Belo Horizonte, quando o candidato do PT disse que trataria o governador eleito de Minas, Aécio Neves (PSDB), como se fosse um petista; depois, em Brasília, numa reunião festiva realizada para que o vice-governador eleito de Minas, Clésio Andrade (PFL), declarasse voto em Lula.

Ao nomear Itamar para a embaixada do Brasil em Roma, Lula atende a um antigo sonho do governador de Minas. Logo depois de passar pela Embaixada do Brasil em Lisboa, Itamar pediu ao presidente Fernando Henrique a transferência para Roma, mas não foi atendido. Acabou servindo na Embaixada do Brasil na Organização dos Estados Americanos (OEA). De lá, rompeu com o governo, renunciou ao cargo e voltou ao Brasil para concorrer ao governo de Minas.

De acordo com informações de políticos ligados a Lula, os dois começaram a negociar a nomeação de Itamar para a embaixada em Roma logo depois de o governador declarar que apoiaria o candidato petista para a Presidência da República e o deputado tucano Aécio Neves para o governo do Estado. Nas conversas, falou-se até que a nomeação de um ex-presidente da República para ser embaixador em Roma certamente agradaria aos italianos, que se sentiriam prestigiados.

Itamar deverá substituir o embaixador Andrea Matarazzo, ex-secretário de Comunicação de Fernando Henrique. A Constituição determina que toda nomeação de embaixador tem de ser aprovada pelo Senado. Matarazzo teve dificuldades quando foi sabatinado pelos senadores e só foi nomeado porque o governo fechou questão.