Brasília

(AG) – Ultrapassado por Ciro Gomes em recente pesquisa Vox Populi por pequena margem, o senador José Serra decidiu sair da moita: disse que a partir de agora vai disparar sua metralhadora na direção dos outros três candidatos que lhe oferecem risco: Luiz Inácio Lula da Silva, Ciro Gomes e Anthony Garotinho. Mas é para Ciro Gomes, da Frente Trabalhista, que vai destinar chumbo grosso. A rivalidade vai pegar fogo nos palanques e no horário eleitoral gratuito, que começa em agosto.

O candidato do PSDB à presidência da República vai repetir que “Ciro é o novo padrão Collor”. Para fazer o contraponto com Ciro e com o candidato do PT, Luiz Inácio Lula da Silva, oriundos do Ceará e de Pernambuco, Serra quer se livrar do rótulo de antinordestino. Vai dizer, principalmente no Nordeste, que nenhum homem público, depois do presidente Fernando Henrique Cardoso, fez tanto pelo Nordeste como ele. Listará os projetos de sua autoria que beneficiaram a região, entre eles os fundos constitucionais que garantem os repasses de recursos.

Não vai deixar de propagar, ainda, sua atuação como ministro da Saúde, responsável pela criação dos genéricos, pelo barateamento dos custos dos remédios e pela derrubada das patentes no tratamento contra a Aids. Serra continuará pregando o risco da volta da inflação e a ameaça de o Brasil virar uma Argentina se o novo presidente não mantiver a política econômica, que garante a estabilidade, e o ajuste fiscal. Serra costuma dizer que é o mais preparado para garantir a manutenção da estabilidade.

Sobre as propostas que seus adversários estariam copiando do PSDB, pedirá ao eleitorado que fique com as originais. “Copiar idéia boa é bom. Mas é preciso saber como tirar do papel”, diz. Antes de viajar para os estados, Serra estuda os programas do governo que beneficiaram a população. No palanque, manifesta a intenção de melhorá-los. No Piauí, anteontem, manteve o script. Responsabilizou o PT pela crise econômica que o país atravessa, acusou o partido de plágio e associou Ciro a Collor. Em Mato Grosso, já chamou Ciro de “fax, xerox e clone” do ex-presidente Fernando Collor.

Nenhum dos aliados desconhece a aversão de Serra por Ciro. Nas reuniões, tem sido orientado a ser menos agressivo, numa tentativa de herdar seus eleitores no caso de ir para o segundo turno. Os ataques ficariam a cargo dos aliados, como o líder do PSDB na Câmara, Jutahy Júnior (BA). “A atitude de Ciro, ao criticar o presidente do Banco Central, Armínio Fraga, meramente oportunista, revela sua irresponsabilidade. É por isso que confiamos na vitória de Serra. O Brasil não vai embarcar numa aventura collorida”, provoca Jutahy.

Sobre a pequena desvantagem de Serra em relação a Ciro, os tucanos não parecem se preocupar.