O juiz Fausto Martin de Sanctis, da 6ª Vara Federal Criminal de São Paulo, rejeitou o acordo proposto pelo megatraficante colombiano Juan Carlos Ramírez Abadía. Segundo informações da procuradora-geral da República Thaméa Danelon, o acordo proposto pela defesa de Abadía não foi aceito porque o juiz não concordou em receber de US$ 30 milhões a US$ 40 milhões, além da rendição de mais quatro comparsas do traficante, em troca da extinção de acusações contra a mulher do traficante e ajuda no pedido de extradição para os Estados Unidos.

Ela lamenta que o acordo não tenha sido aceito. "Esse dinheiro poderia ser revertido para a área social, ONGs, infra-estrutura da Justiça e outros fins", disse. O megatraficante é chefe do cartel do Valle del Norte, na Colômbia. Ele está detido no Presídio de Segurança Máxima de Campo Grande (MS) e foi levado para a sede da Superintendência da Polícia Federal de São Paulo na noite de ontem. Abadía passou a noite na sede da PF e chegou à Vara Criminal no meio da manhã.

Abadía é acusado de mais de 300 assassinatos na América Latina e de outros 15 nos Estados Unidos, vários deles de policiais. A intenção da defesa do traficante é de negociar a extradição de Abadía para os Estados Unidos, onde ele responde por crimes de tráfico internacional de drogas, lavagem de dinheiro e assassinatos.

O traficante promete entregar parte de sua fortuna caso a Justiça Federal agilize o processo de extradição. Outra exigência do criminoso para entregar o dinheiro é não ter de cumprir pena no Brasil. A decisão de extraditá-lo cabe ao Supremo Tribunal Federal (STF). Abadía acredita que quanto mais rápido pisar em solo norte-americano, mais fácil será negociar uma redução de pena através da entrega de mais dinheiro.