A juíza Marixa Rodrigues mudou novamente a data do julgamento do goleiro Bruno, acusado do desaparecimento e morte de Eliza Samudio, em junho de 2010. A nova data do júri será 4 de março de 2013.

Além de Bruno, outros quatro réus do crime serão julgados na mesma data. São eles: a ex-mulher do goleiro, Dayanne Souza, o ex-policial civil Marcos Aparecido dos Santos, o Bola, o ex-administrador do sítio de Minas Gerais, Elenilson Vitor da Silva, e o amigo do goleiro, Wemerson Marques de Souza.

No início da sessão de hoje, Bruno apresentou novos advogados de defesa e pediu o desmembramento de seu julgamento, que foi acatado pela juíza.

O goleiro pediu a palavra no plenário e apresentou os novos defensores que comporão a banca: Lucio Adolfo da Silva e outros quatro advogados. Feitas as apresentações, Bruno pediu o adiamento de seu julgamento, pois Silva não tem conhecimento do processo e precisa de tempo para ficar a par dos autos.

O promotor do caso, Henry Wagner Castro, se manifestou, alegando que se tratava de uma manobra da defesa. “Essa atitude tem todos os contornos de um autêntico abandono, pois aqui não estamos falando de uma destituição”, disse. “Algumas das defesas sobre a capa da astucia e da bravata só manobram.”

A juíza, no entanto, entendeu que não era uma manobra e concordou com o desmembramento.

Com as novas mudanças, o outro advogado de Bruno, Francisco Samim, afirmou que ele e Tiago Lenoir deixaram sua defesa para Silva assumir a titularidade do caso. “O Lucio assume tudo”, afirmou.

O julgamento do ex-secretário de Bruno, Luiz Henrique Romão, o Macarrão, e da ex-namorada, Fernanda Castro, deve continuar hoje.

Julgamento

O julgamento começou anteontem com cinco réus -o goleiro Bruno, seu ex-secretário Luiz Henrique Romão, o Macarrão, o ex-policial civil Marcos Aparecido dos Santos, o Bola, a ex-mulher de Bruno, Dayanne Souza, e a ex-namorada Fernanda Castro- mas foi reduzido para três.

Bola foi excluído do júri logo no primeiro dia para apresentar novos advogados após a desistência de seus dois defensores, Ércio Quaresma e Zanone Oliveira. O ex-policial recusou a indicação de um defensor público.

No segundo dia de julgamento, Bruno dispensou o advogado, Rui Pimenta, de sua defesa.

A tentativa do goleiro de destituir também seu advogado, Francisco Samim, culminou no desmembramento do julgamento da ex-mulher de Bruno, Dayanne, que deverá ir à júri junto com Bola em data ainda não marcada.

Até a tarde de ontem, foram ouvidas quatro testemunhas da acusação. O ex-motorista de Bruno, Cleiton da Silva Gonçalves, confirmou em depoimento ter ouvido Sérgio Rosa Sales, primo do goleiro, dizer que Eliza “já era” e que seu corpo havia sido jogado para cães.

A delegada Ana Maria Santos, que trabalhou na investigação do caso foi ouvida ontem. Ela revelou detalhes depoimento do primo Bruno, Jorge Luiz Rosa, dado à polícia em 2010. Segundo Rosa, Eliza foi amarrada e chutada antes de ser morta.

À tarde foi a vez do depoimento do preso Jaílson Alves de Oliveira, que confirmou ter ouvido Marcos Aparecido dos Santos, o Bola, confessar que teria matado Eliza.

Ele também afirmou que foi ameaçado pelo goleiro Bruno no último dia 13 de novembro dentro do presídio Nelson Hungria, em Contagem, onde os dois estão presos. Diante da juíza, ele disse que poderia falar isso “na cara dele”.