O juiz Alberto Anderson Filho, do 1.º Tribunal do Júri, planeja julgar Suzane von Richthofen e os irmãos Daniel e Christian Cravinhos em maio. Eles são réus confessos do assassinato dos pais dela, ocorrido em outubro de 2002. "O processo já está aqui e não há recursos pendentes. Devo despachar em breve para o Ministério Público Estadual (MPE)."

Quando o processo chegar às mãos do promotor Roberto Tardelli, ele terá dois dias para apresentar o chamado libelo, peça da segunda fase do processo no Tribunal do Júri, em que a acusação consolidada é apresentada para os jurados. "Acho que em abril ou maio podemos julgá-los", disse o promotor

Segundo Tardelli, tudo indica que Suzane e os irmãos serão julgados separadamente. "A defesa deve pedir isso porque eles se acusam mutuamente do planejamento do crime e porque atuaram em circunstâncias diferentes. Mas se os advogados não o fizerem, eu pedirei ao juiz.

Se houver novo recurso – e dependendo do tipo – por parte de Geraldo Jabur, defensor dos Cravinhos, ou Antônio Cláudio Mariz de Oliveira, representante de Suzane, o julgamento poderá ser adiado. Perguntado se ainda há o se questionar, Tardelli disse que o bom advogado se destaca pela criatividade

Jabur adiantou que recorrerá na quinta-feira, ao Tribunal de Justiça, contra a prisão dos irmãos, feita ontem. Hoje, eles foram transferidos para o Centro de Detenção Provisória (CDP) do Belém. O advogado afirmou, contudo, que pedirá aos jurados a condenação dos clientes – a batalha será pela proporcionalidade das penas. Ou seja, ele quer que os irmãos paguem apenas pelo que fizeram. Segundo Jabur, Suzane foi a mentora do crime. Ela alega o contrário e diz que foi influenciada por eles

Prisão de Suzane

"Sei que minha decisão pode ter causado perplexidade", disse o juiz, sobre o fato de ter negado a prisão da jovem. "Se dependesse de mim todos estariam presos desde 2002." Foi ele quem mandou o trio para a prisão após o crime e teve a decisão anulada pelo Superior Tribunal de Justiça (STJ). "Os motivos que eu tinha para prender o STJ rejeitou. O novo motivo não é suficiente.

O promotor argumentou que Suzane parece estar foragida. Anderson entendeu que, como a presença dela não foi requisitada desde que saiu da prisão, ela não tinha obrigação de aparecer. Além disso, após saber do pedido de prisão, Mariz enviou petição ao juiz informando que, se fosse chamada, a jovem iria ao fórum no mesmo dia.

Quando o libelo for apresentado, Suzane deve ser intimada pessoalmente por um oficial de Justiça. Será possível, então, saber se ela está localizável. "Estamos falando da Suzane mas tem 4 mil processos assim aqui. Falamos com o advogado e procuramos endereço até na Justiça Eleitoral para intimar o réu. A última coisa é mandar prender. Por que com ela vai ser diferente?

Quanto aos Cravinhos, Anderson foi taxativo ao afirmar que eles demonstraram menosprezo à Justiça e à sociedade e fizeram apologia ao crime durante entrevista à "Rádio Jovem Pan" na semana passada.