O Tribunal de Justiça de Pernambuco determinou a suspensão da greve dos policiais civis do Estado, iniciada ontem, e fixou em R$ 20 mil o valor da multa diária a ser paga pelo sindicato da categoria no caso de descumprimento da ordem.

A decisão foi tomada na noite de ontem pelo desembargador Sílvio de Arruda Beltrão, atendendo pedido de ilegalidade do movimento feito pelo governo do Estado.

Apesar da decisão judicial, até o final da tarde hoje a greve continuava. Segundo o vice-presidente do Sindicato dos Policiais Civis de Pernambuco, Edson Fernandes, a entidade não havia sido notificada oficialmente. “Quando nos notificarem, vamos recorrer”, afirmou.

A greve, de acordo com o sindicato, atinge 70% da categoria, formada por cerca de 6.000 pessoas. O governo reconhece o protesto, mas não avalia a adesão.

A paralisação atinge principalmente as delegacias de bairros, que estão cobertas por faixas e cartazes alusivos ao movimento.

Na região metropolitana de Recife, os flagrantes estão sendo encaminhados para as oito delegacias de plantão, que funcionam normalmente. A chefia da Polícia Civil remanejou servidores para reforçar o trabalho dos escrivães.

Quem precisa fazer boletins de ocorrência está sendo orientado a utilizar o sistema on-line. O IML (Instituto de Medicina Legal) e o Instituto de Criminalística não foram afetados pela greve.

Os policiais civis reivindicam reajuste salarial de até 65%, além da concessão de benefícios e melhores condições de trabalho.

O governo do Estado alega que assinou, no ano passado, um acordo de política salarial com o sindicato, que prevê reajuste de 47,34% até 2014.

O governador de Pernambuco, Eduardo Campos (PSB), disse que o governo não concederá nada além do que já foi acertado.