Brasília

– O governo federal conta com amparo legal para cortar o ponto dos policiais federais que estão em greve desde março. O desembargador Luiz Gonzaga Barbosa Moreira, do Tribunal Regional Federal (TRF) da 1.ª Região, confirmou decisão anterior, da 1.ª Instância de Brasília, que já havia autorizado o desconto nos salários. Os líderes dos policiais ameaçam radicalizar a paralisação. Representante dos grevistas, a Federação Nacional dos Policiais Federais (Fenapef) informou que deverá recorrer da decisão que, segundo a entidade, atingiu apenas os grevistas do Distrito Federal. No governo, a interpretação é a de que a decisão tem repercussões sobre o Distrito Federal e todos os 13 estados da 1.ª Região da Justiça Federal, localizados nas regiões Norte, Nordeste, Centro-Oeste e Sudeste.

De acordo com Fenapef, a paralisação da categoria já dura 45 dias e tem a adesão de cerca de 90% dos policiais. Em nota divulgada na internet, a entidade observa que o despacho de Moreira contraria outras 21 decisões judiciais tomadas em outros estados brasileiros proibindo o corte de ponto de quem aderiu à paralisação da categoria. “As ameaças do ministro da Justiça, Márcio Thomaz Bastos, e do diretor-geral da PF, Paulo Lacerda, não podem vencer o direito constitucional de promover a nossa greve”, sustenta a Fenapef.

Radicaliza

Na nota, a Fenapef afirma que os descontos poderão ser feitos apenas a partir do próximo dia 4, que é a data do pagamento. “Por isto, entendemos que temos dez dias para realizar a maior radicalização já vista na história de greve de servidores públicos no Brasil, com a volta da operação padrão em todos os aeroportos nacionais e internacionais, assim como a realização de ações que visem mostrar para Lacerda e Márcio Thomaz Bastos que eles também terão problemas com suas atitudes anti-sindicais e anti-democráticas”, ameaçou a entidade.