O ministro das Relações Exteriores, Celso Lafer, alertou hoje (24) que as principais negociações táticas e estratégicas do comércio exterior brasileiro ficarão a cargo do próximo governo. São elas os chamados três tabuleiros: Área de Livre Comércio das Américas (Alca), União Européia e Organização Mundial do Comércio (OMC), todas com prazo de conclusão previsto para o início de 2005. Segundo Lafer, nos próximos dois meses o governo tem na agenda apenas negociações de rotina.

Mesmo na reunião ministerial da Alca que ocorrerá em Quito, no Equador, no dia 1.º de novembro, o governo pretende conduzir as negociações de modo a “dar margem de liberdade para o próximo governo”. Disse também que sua equipe está preparada para fornecer todas as informações disponíveis para a equipe de transição formada pelo próximo governo.

Segundo o ministro, até o momento o atual governo procurou “resguardar todos os principais interesses” do País, “seja em relação a prazo ou substância das decisões”. Lafer disse que ele próprio se empenhou para assegurar prazos compatíveis com o calendário eleitoral. Afirmou ainda que, após oito anos, com as três negociações em curso, “o governo deixa aberta uma oportunidade histórica, sem nenhuma hipoteca”.

Para o ministro, o próximo governo terá nas mãos um momento de oportunidades. Assim como fez mais cedo o presidente Fernando Henrique Cardoso no 22.º Enaex, do qual também participou Lafer, o ministro ressaltou a importância da continuidade do processo de abertura comercial para a economia do País. “Para gerar emprego e renda e diminuir a dependência dos capitais externos é imprescindível expandir exportações e, para isso, devemos explorar todas as oportunidades de abertura de mercados”, disse.

Lafer admitiu que há uma série de reformas internas que precisam ser feitas para que o País esteja preparado para as integrações comerciais. “Os outros países não vão esperar sentados que resolvamos todos os nossos problemas internos antes de começar a negociar”, explicou. Em palestra no Enaex, ele disse que o Brasil não pode subestimar sua importância, mas também não pode superestimá-la, esperando que o mundo obedeça às conveniências do País.