O presidente Fernando Henrique Cardoso fez ontem um pronunciamento por cadeia de rádio e televisão, para falar sobre o pagamento da correção do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço (FGTS) relativa aos planos Verão e Collor II, e anunciou que as parcelas da dívida de valor até R$ 1 mil serão creditadas aos trabalhadores até o próximo dia 28 de junho. No mesmo dia 28 de junho, a Caixa Econômica Federal (CEF) iniciará o pagamento das parcelas até R$ 2 mil. O banco está enviando nos extratos aos correntistas o dia exato em que começará a ser feito o pagamento.

Os trabalhadores que têm para receber até R$ 3 mil serão beneficiados entre junho de 2003 e dezembro de 2004. Quem tem mais de R$ 5 mil a receber (2% do total) recebe o dinheiro em sete parcelas semestrais entre os anos de 2003 e 2006.

A dívida total negociada é de R$ 40 bilhões, equivalente à correção de 68,9% que representa as perdas salariais com os dois planos econômicos. Para conseguir fechar o acordo, o governo se comprometeu em disponibilizar R$ 6 bilhões em dinheiro.

O trabalhador que recebe até R$ 1 mil está isento do deságio, por insistência tanto dos sindicalistas, quanto do presidente. Para quem recebe entre de R$ 1 mil e R$ 2 mil, o deságio é de 10%; para quem recebe de R$ 2 mil a R$ 5 mil, o deságio é de 12%; para os que recebem mais de R$ 5 mil, o deságio é de 15%.

Já os empresários entram com a maior parte da dívida a ser paga, cerca de R$ 20 bilhões. Pelo acordo, eles contribuirão com o montante arrecadado por meio do aumento da multa rescisória de 40% para 50% e com o adicional de 0,5% sobre as folhas de salários.