Um livro escrito pelo estudante Willyam Thums, de 30 anos, que cursa Literatura e Estudos Culturais na Georgetown University, em Washington DC (Estados Unidos), ganhou uma fama repentina nas redes sociais nesta quarta-feira (14). Intitulado “Por que Bolsonaro Merece Respeito, Confiança & Dignidade”, a publicação esteve à venda no site Amazon, um dos maiores do mundo no comércio virtual, pelo preço de R$ 39,64. O detalhe que chama atenção, no entanto, é que das 190 páginas, apenas duas são escritas e as 188 em branco.

A ideia do autor era fazer uma sátira sobre a atuação e os pensamentos do atual presidente brasileiro Jair Bolsonaro. O livro foi publicado no site no mês de março, mas retirado da comercialização logo em seguida. Segundo o autor, em entrevista à revista Época, nenhum exemplar chegou a ser vendido, mas mesmo assim desde ontem o livro virou um campeão de comentários, resenhas e avaliações, a maioria “entrando na onda” das críticas irônicas a Bolsonaro. Veja algumas:

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O autor disse que ficou surpreso com a procura repentina pelo livro, mas ficou ainda mais assustado com os comentários, especialmente porque ninguém comprou. “É muito divertido esse tanto de acesso e tanto fluxo de uma coisa que ninguém leu. As pessoas estão fazendo comentário e revisão de um livro que foi retirado de venda em março”, contou Thums à Época.

Uma das avaliações negativas critica o autor. “Livro de 190 páginas com apenas 2 páginas de texto e o resto em branco. Ironia política do autor, usando e enganando o leitor. Foi adquirido para pesquisa de doutorado onde, ao contrário desse autor, se busca ver os dois lados, mesmo não sendo apoiador de Bolsonaro. Não compre”. No entanto, o autor diz que o livro nunca foi vendido, pois não recebeu nada da editora, então não sabe como o avaliador poderia ter tido acesso à obra.

Após a repercussão da história, a própria Amazon colocou um alerta na descrição da obra dizendo: “Atenção [Livro sátira]: Este livro possui apenas 2 páginas escritas e 188 páginas em branco”. Sobre as páginas em branco, Willyam explica. “É uma sátira e uma ideia que deixa aberta ao leitor, faz uma pergunta que não tem resposta, porque é ambígua. A resposta sobre a pergunta do livro são as páginas em branco, então você interpreta como quiser”.