São Paulo – Em denúncia apresentada perante a Justiça Federal de Brasília, o procurador da República Luiz Francisco de Souza usou como base para acusação informações e afirmações atribuídas à Folha de S.Paulo. Amparar denúncias em fatos apurados pela imprensa é prática comum no Ministério Público. O problema, dessa vez, é que o jornal jamais publicou os trechos transcritos na ação. A denúncia em questão, contra o grupo Opportunity, está sendo investigada pela Corregedoria-Geral do Ministério Público Federal. A suspeita é de que o procurador tenha assinado uma ação produzida ou co-produzida por parte interessada na causa. O arquivo em que ela foi redigida foi criado no computador do advogado (ou sócio) de um desafeto do banco, o empresário Luiz Roberto Demarco, dono da Nexxy Ltda. A reportagem “reproduzida” como suposta prova de práticas ilegais por parte do banco trata do Caso Banestado. Com o título “Dez giraram US$ 2,4 bi em 42 contas nos EUA”, o texto, em quatro retrancas, foi publicado no dia 21 de agosto.