Brasília – Depois de uma reunião de quase cinco horas no Palácio da Alvorada, o ministro da Secretaria de Comunicação de governo, Luiz Gushiken, disse que a liberdade de expressão de ministros e assessores do presidente da República deve ser exercitada nas reuniões internas do governo, mas, depois da decisão do presidente, não deve haver mais debates, e sim a unidade na ação. Gushiken fez essa declaração ao ser perguntado se haveria uma ordem dentro do governo para que os ministros evitem críticas públicas à política econômica e também para evitar o desentendimento entre os ministros, como o de Roberto Rodrigues, da Agricultura, com Guido Mantega, do Planejamento.

“Ordem, não. O que existe é uma cultura que é observada no Poder Executivo tanto em prefeituras como em governos estaduais e no nível federal. O político, num partido, no parlamento, ou no Poder Executivo não tem a mesma margem de exercício de liberdade de opinião. A liberdade de opinião de ministros e assessores que o presidente escolheu se restringe às reuniões internas. Quando o presidente decide, isso não cabe mais. É preciso a unidade de ação”, afirmou.

Gushiken disse que o desentendimento entre Rodrigues e Mantega está superado com a nota divulgada pelo ministro da Agricultura no fim de semana “corrigindo as interpretações dadas pela imprensa”. Gushiken disse que toda vez que houver uma interpretação equivocada de uma notícia o ministro envolvido tem a obrigação de explicar “para fazer a correção de rumos”.

Mas silenciar os ministros do governo Lula não será fácil. O ministro do Desenvolvimento Social, Patrus Ananias, voltou a criticar a “herança maldita” recebida do ex-presidente Fernando Henrique Cardoso (PSDB) para rebater críticas de que o governo de Luiz Inácio Lula da Silva sofre de paralisia desde o início da crise.