O presidente Luiz Inácio Lula da Silva advertiu nesta terça-feira (7), em Tegucigalpa, Honduras, que se houver atraso no Senado nas votações de projetos de interesse do País, ele chamará os líderes da Casa e dos partidos políticos para "uma dura conversa" assim que retornar ao Brasil, na sexta-feira. "Nenhum caso individual pode atrapalhar as votações de coisas de interesse do nosso País", disse Lula, referindo-se à possível paralisação das votações enquanto o presidente da Casa, senador Renan Calheiros (PMDB-AL), não deixar o cargo em função de denúncias de quebra de decoro parlamentar.

A paralisia aumentou com a decisão do DEM de obstruir a votação de projetos que não sejam de interesse do País. A uma pergunta sobre essa situação no Senado, o presidente da República afirmou que, quando saiu do Brasil, no domingo, o Senado e a Câmara tinham concluído votações de temas considerados importantes pelo governo. Lula argumentou que, por mais importante que o presidente da República possa ser, ele "não dá palpite" sobre o que vai ocorrer na Suprema Corte.

Ao ser abordado sobre essa questão, Lula não se mostrou ciente da decisão do Supremo de abrir inquérito sobre o presidente do Senado. Chegou a perguntar aos jornalistas em que etapa estava esse processo de Renan, mas insistiu em que seria preciso esperar o resultado de investigações abertas pelo Conselho de Ética do Senado e a possibilidade de o caso de Renan ser investigado pelo Supremo Tribunal Federal (STF).