ACM, Roseana e José Sarney: trio
é hoje trunfo para Lula e o PT.

Brasília – O presidente Luiz Inácio Lula da Silva vai entrar em campo na semana que vem para tentar fortalecer a frágil base governista no Senado. Ele deve jantar com um grupo de senadores do PFL, na próxima semana, assumindo o comando da tentativa de articular uma nova maioria, com a construção do que o Planalto chama de “bancada da governabilidade”.

Quem estava à frente dessa articulação até agora era o ministro da Casa Civil, José Dirceu, com o apoio do presidente do Senado, José Sarney (PMDB-AP), e do senador Antônio Carlos Magalhães (PFL-BA). Dirceu já jantou com alguns pefelistas, como os maranhenses Edison Lobão e Roseana Sarney, e avisou outros da disposição de Lula. O jantar com o presidente chegou a ser pré-agendado duas vezes nos últimos dez dias, mas não foi marcado. Ainda assim, Lula deu um passo concreto em favor da construção da nova maioria há duas semanas, quando recebeu ACM para uma conversa reservada no Planalto.

Ao mesmo tempo, Dirceu trabalhava dissidências do PMDB e do PSDB. Um de seus maiores aliados, que abre a lista dos convidados ao jantar com Lula, é o segundo vice-presidente da Casa, Eduardo Siqueira Campos (PSDB-TO). Assim como ACM, que puxa os votos da Bahia em favor do Planalto, o tucano agrega ao grupo os outros dois senadores do Tocantins.

Segundo um interlocutor presidencial, o Planalto decidiu investir na bancada da governabilidade como alternativa para manter a estabilidade em tempos de crise com o PMDB, o maior partido no Senado. Isto, em um cenário de reeleição dos postos de comando do Congresso.

Para apoiar a proposta que permite o segundo mandato de Sarney e do presidente da Câmara, João Paulo Cunha (PT-SP), o governo precisava de um plano B. Só uma alternativa que garantisse nova maioria governista seria capaz de compensar o racha do grupo do PMDB ligado a seu líder, Renan Calheiros (AL), que é candidato a presidente da Casa.

Uma forma de fazer a maioria é trabalhar o racha da oposição, investindo na criação de um bloco independente. Um articulador diz que o governo já conta com a ajuda de ACM para compor o bloco. “O Planalto tem feito sua parte para não complicar a relação com ACM na Bahia”, conta um carlista. “Até agora, nenhum ministro apareceu em Salvador para reforçar a campanha à Prefeitura do deputado Nelson Pellegrino (PT).” O drama do governo é que a reeleição divida o PMDB e ele não pode jogar no racha partidário.