Foto: Antônio Cruz/Agência Brasil

 Lula: "Eu não vou vender a minha alma para ser candidato".

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva apresentou à nova cúpula do PT três condições para disputar a reeleição no ano que vem: quer apoio integral do partido, uma coligação ampla e que a economia esteja indo bem.

"Não vou vender a alma para ser candidato", disse Lula, de acordo com relato do presidente da Infraero, Carlos Wilson, que participou da conversa, durante jantar realizado na quarta-feira, na Granja do Torto. "Quero base política e base parlamentar fortes para que não aconteça o que aconteceu agora", completou Lula, referindo-se à crise do mensalão.

O jantar serviu para cobranças mútuas. Lula pediu mais empenho dos petistas na defesa do Planalto, dizendo que o partido "tem a obrigação de conhecer e defender as coisas positivas do governo". Reconheceu que a sigla tem como característica a liberdade ampla de discussão interna, mas salientou que é hora de reconhecer o que a sua gestão tem de positivo e divulgar.

Os petistas, por sua vez, levaram a Lula um documento aprovado pelo partido pedindo mudanças na política econômica conduzida pelo ministro da Fazenda, Antonio Palocci. Entregue pelo presidente do PT, Ricardo Berzoini, o texto foi recebido com ressalvas pelo presidente. "Ele reclamou desse negócio de o PT ficar levando documentos de críticas contra a política econômica só de críticas", contou Carlos Wilson. "Que apresente críticas, mas acrescente o que se pretende fazer de novo", teria reagido.

Cobranças

Diante da cobrança por alterações na política econômica, o presidente disse que não há quem não queira baixar juros e superávit, os pontos mais criticados. Frisou, porém, que é preciso compromisso com uma diretriz consistente.

Diante de dirigentes petistas, alguns de linha política oposta à dele, como o secretário de Relações Internacionais do PT, Valter Pomar, Lula defendeu Palocci. Num recado aos radicais, foi franco. "O PT não precisa concordar com tudo o que o governo faz. Mas o governo não precisa ceder em tudo."

Para o presidente, o PT precisa, sim, reconhecer os erros que cometeu e valorizar as realizações do governo. O tom foi idêntico ao adotado na última reunião ministerial do ano, na segunda-feira, quando Lula cobrou dos auxiliares mais empenho na defesa do governo. Durante as cinco horas, alguns dirigentes petistas se queixaram de equívocos praticados pelos responsáveis pela comunicação de governo.

Sem uma política de comunicação operante, avaliam, não é possível divulgar as realizações de Lula. "Em vários Estados, muitos prefeitos se apoderaram de programas federais, como o Luz para Todos. Por isso, o PT quer uma comunicação mais eficiente", comentou o líder do governo na Câmara, Arlindo Chinaglia (PT-SP).

Ao defender a necessidade de ter uma base sólida para disputar a reeleição, Lula avaliou: "Quem for presidente deste país com uma base desarrumada, como foi o caso nos três primeiros anos deste governo, vai enfrentar muita dificuldade."

Um dos temas recorrentes no encontro foram as dificuldades para a formação da chapa presidencial. Lula manifestou que ainda é cedo para falar de alianças num cenário em que aliados do governo, como o PMDB, não definiram que caminho vão trilhar.