O presidente Luiz Inácio Lula da Silva aproveitou a posse de seu mais novo ministro, Mangabeira Unger, da Secretaria de Planejamento de Longo Prazo, para defender a própria idéia de tentar planejar o futuro do País e não ficar preso ao que chamou de "pressões cotidianas".

"Na hora em que vai se elaborar o orçamento da União, colocar tudo o que é arrecadado dentro de uma cesta e começar a distribuir, você percebe que, por falta de planejamento estratégico de longo prazo, a gente vai distribuindo de acordo com hábitos e costumes, da mesma forma que a gente vai distribuindo com a pressão momentânea", afirmou o presidente. "E a gente não distribui nunca pensando no que queremos que aconteça com vários setores da sociedade ao longo de duas décadas, três décadas ou mais."

O presidente usou como exemplo da falta de planejamento no País as dificuldades para aprovar no Congresso a reforma política. "É muito difícil a gente conseguir unidade em torno de temas presentes. Vide a reforma política que está sendo discutida no Congresso Nacional. E por que não tem unidade? Não é apenas porque, do ponto de vista filosófico, as pessoas têm divergências, é porque as pessoas estão pensando no imediato, em como ficará o seu partido nas próximas eleições, como ficará o seu mandato nas próximas eleições", afirmou.

Apesar de ser a posse de Mangabeira, o presidente só citou o nome de seu mais novo ministro depois de mais de 15 minutos de discurso. Afirmou que Mangabeira foi "guindado" a seu governo para "colocar sua inteligência a serviço de outras inteligências" e "despertar uma parcela da sociedade que está adormecida nas universidades, na academia." Lula afirmou ainda que o novo ministro terá todo seu apoio para "concretizar esse desejo, que é um desejo de País". "Eu acho que temos a obrigação de deixar um legado melhor do que aquele que recebemos", encerrou.