O presidente Luiz Inácio Lula da Silva mandou nesta terça-feira (10) um recado ao PMDB ao afirmar que não pretende reconduzir o ex-ministro Silas Rondeau (PMDB) ao Ministério das Minas e Energia, como pretendem os peemedebistas. Depois de visitar pela primeira vez o Centro Experimental de Aramar, mantido pela Marinha em Iperó, a 130 quilômetros de São Paulo, o presidente foi questionado sobre se tinha intenção de reconduzir o peemedebista à Esplanada dos Ministérios. "Não, não", limitou-se a dizer.

Após a negativa, o presidente disse ter achado engraçado ser questionado sobre o mesmo tema em sua recente visita a Bruxelas. E ironizou: "Engraçado, estava em Bruxelas e fiquei imaginando quem era o poderoso que estava indicando os ministros por mim". Apesar da afirmação de que não pretende ter Silas Rondeau na equipe de colaboradores próximos, Lula ponderou: "O Silas foi injustiçado", numa referência às acusações levantadas pela Polícia Federal na Operação Navalha, de que o ex-ministro teria recebido R$ 100 mil em propina da empreiteira Gautama.

Depois do escândalo envolvendo o presidente do Senado, Renan Calheiros (PMDB-AL), os peemedebistas começaram a pressionar o presidente da República pela volta de Silas Rondeau ao ministério. Neste embate, a Polícia Federal já garantiu que não pretende interromper as investigações e continua sustentando a linha deflagrada no início da Operação Navalha, que aponta o envolvimento de Rondeau na máfia das licitações. Para a PF, as provas são suficientes para que o ex-ministro seja indiciado, mas a condução das investigações cabe ao Ministério Público e à Justiça.