O presidente Luiz Inácio Lula da Silva não confirmou, tampouco desmentiu categoricamente, a informação que pretende reconduzir ao cargo o ex-ministro das Minas e Energia Silas Rondeau, afastado por ter o nome envolvido em denúncias de corrupção apuradas pela Operação Navalha da Polícia Federal. "Eu não posso confirmar nada, pois estou sabendo da informação agora", disse Lula, ao ser questionado sobre o tema, durante entrevista coletiva concedida há pouco, acompanhado do presidente da Comissão Européia, o português José Manuel Durão Barroso.

Ainda sobre o eventual retorno do ex-ministro Silas Rondeau à Esplanada dos Ministérios, o presidente Lula ironizou: "Eu acho fantástico estar aqui (em Bruxelas), a dois mil quilômetros do Brasil e ouvir notícias que vou mudar o ministério. Eu vou descobrir quem é esse poderoso chefão (que divulgou a informação)".

Na coletiva, o presidente também criticou o estudo divulgado pela Organização para Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE) e Organização das Nações Unidas para Alimentação e Agricultura (FAO), prevendo que o preço dos alimentos deve continuar subindo nos próximos anos, devido ao aumento do uso de biocombustíveis: "Esse estudo deveria apresentar quanto os preços dos alimentos subiram depois do aumento do barril de petróleo, de US$ 28 para US$ 70." E continuou: "Não quero fazer parte nem dos muito pessimistas e nem dos muito otimistas", numa referência à perspectiva de crescimento do peso dos biocombustíveis no mundo.

O presidente afirmou, ainda, que após os encontros de ontem, em Lisboa, e hoje, em Bruxelas, com líderes europeus, vai retornar ao Brasil "com a convicção" de que será possível fechar um acordo para a rodada de Doha. "Já tivemos muitos problemas, mas hoje com o clima tão positivo de que é necessário encontrar um entendimento, estou muito otimista".