Brasília – Em encontro para comemorar o Dia do Jornalista, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva afirmou ontem que não se pode exigir que a imprensa fale bem do governo, mas é preciso que o profissional esteja comprometido com a verdade. Ele amenizou a crítica do ministro Luiz Gushiken (Comunicação de Governo), feita pouco antes, de que a mídia insiste em explorar o contraditório.

“Em nenhum momento um governo pode pedir ao jornalista para falar bem dele e em nenhum momento o jornalista pode falar mal do governo só porque quer. (Isso é importante) para que ao abrirmos um jornal e lermos a notícia, ela seja a mais pura verdade conseguida e não apenas a intenção do profissional ou do dono do jornal”, afirmou o presidente em discurso dirigido a jornalistas.

As declarações de Lula tiveram tom amenizador.

Antes dele, Gushiken, pediu a palavra e passou uma espécie de pito na imprensa. “A imprensa opera com o raciocínio que é o de explorar o contraditório. Isso fomenta discórdia e disputa de egos quando o que existe é uma discussão de idéias”, disse o ministro. Gushiken defendeu que a mídia dê espaço para o “lado positivo das coisas” e disse que é preciso dar voz à agenda positiva do governo. “Esse País está cheio de coisas boas”, avaliou.

Lula recebeu em uma das salas do terceiro andar do Palácio do Planalto cerca de 60 jornalistas, entre repórteres e sindicalistas. Ao chegar no local do encontro, o presidente, que recebeu camisetas de presente dos sindicatos, adiantou-se, em tom de brincadeira, e disse: “Não tem boné?.” “Nós não temos boné, mas a gente trouxe uma camiseta”, respondeu um dos representantes dos jornalistas.

O presidente não respondeu perguntas dos jornalistas, apenas manteve uma conversa informal. Contou que a bursite não o incomoda mais e que gostou de Bonito, no Mato Grosso do Sul, onde esteve na semana passada. Disse ainda que o aniversário da primeira-dama, Marisa, foi ontem.

No encontro, Lula disse ser favorável à criação de um Conselho Federal de Jornalismo, reivindicação da Federação Nacional dos Jornalistas (Fenaj). A entidade defende a criação do conselho como órgão fiscalizador das atividades da imprensa. Apesar de ter suavizado as palavras de Gushiken, Lula também criticou a atitude dos proprietários de jornal. “Muitas vezes os donos de jornais trabalham para quebrar a espinha dorsal dos jornalistas”, analisou.

“É preciso que a notícia seja a mais pura verdade conseguida pelo jornalista e não apenas a posição do jornalista ou do dono do jornal”, disse.