Recife – O presidente Luiz Inácio Lula da Silva avalia que setores oposicionistas estão “armando” denúncias contra o governo e o PT para atingir os candidatos aliados do Palácio do Planalto às principais prefeituras do País. Lula sugeriu ontem que o partido precisa estar atento nesta reta final das eleições. Ele citou, como exemplo de fato sem consistência, a reportagem publicada na edição desta semana da revista Veja, que denuncia suposto esquema de compra de apoio de parlamentares do PTB pelo PT.

“Esse episódio é como o que já aconteceu com o Ibsen”, comparou o presidente, referindo-se à reportagem publicada em 1993 sobre o ex-presidente da Câmara, deputado Ibsen Pinheiro (PMDB-RS), com números distorcidos de desvios de recursos. “Na matéria (sobre a suposta cooptação do PTB pelo PT) não tem um denunciante, não tem alguém fazendo a denúncia”, afirmou Lula.

Armações

Momentos antes de embarcar para Nova York, o presidente salientou que cabe à direção nacional do PT tomar as devidas providências em relação a possíveis armações contra o partido. Lula deixou claro que não compete a ele, presidente da República, ou ao governo tomar qualquer medida de repúdio às supostas armações. Lula avalia que o governo deve ficar fora disso. “Não sei o que o partido pode fazer”, disse. A uma pergunta sobre o que achava do conteúdo do texto publicado pela revista, o presidente ironizou: “Eu não achei, não tem nada para achar”.

Em uma conversa na viagem para o Recife com os ministros Humberto Costa (Saúde) e Eduardo Campos (Ciência e Tecnologia) e o presidente da Infraero, Carlos Wilson, Lula teria repetido várias vezes a palavra “armação” ao referir-se à divulgação do suposto esquema entre PT e PTB. “Isso é mais uma armação de setores envolvidos nas eleições”, disse o presidente, segundo relato de dois participantes da conversa. Nesse diálogo, Lula teria relatado que pediu para “sondar” de onde surgiu essa história, que ele desconhecia completamente. O presidente demonstrou surpresa com as informações publicadas pela revista.