Brasília – A ativista política Clara Sharf, de 79 anos, destacou ontem, ao receber o Diploma Mulher Cidadã Bertha Lutz, o fato de o presidente Luiz Inácio Lula da Silva ser um grande amigo das mulheres. ?Tenho grande alegria de saber que temos um presidente da República que está na nossa causa e valoriza as mulheres?, disse Clara, que integra o Conselho Nacional dos Direitos da Mulher e a Secretaria Nacional de Mulheres do Partido dos Trabalhadores. Para ela, Lula é um grande aliado da luta da mulheres.

Clara é também coordenadora do Comitê Brasileiro 1000 Mulheres para o Prêmio Nobel da Paz de 2005. Viúva do dirigente da Aliança Libertadora Nacional, Carlos Marighella, Clara Sharf dedica sua vida, há várias décadas, à defesa da liberdade e dos direitos humanos do povo brasileiro. O prêmio foi entregue hoje no Congresso Nacional a cinco mulheres que se destacaram na luta pelos direitos femininos.

Outra homenageada foi a gaúcha Rozeli da Silva, de 41 anos. Mãe aos 12 anos, semi-analfabeta e gari, com a ajuda inicial de um empréstimo da Prefeitura de Porto Alegre, Rozeli fundou em 1996 a organização não-governamental (ONG) Renascer da Esperança, que atende 220 crianças e adolescentes de três a 17 anos da comunidade de Restinga, na periferia da capital gaúcha.

?Na verdade, eu sou gari, eu varria rua, era analfabeta, fui mãe aos 12 anos de idade. Criei a ONG para que não houvesse mais gravidez na pré-adolescência, um local onde meninas e meninos pudessem comer e freqüentar a escola.? Vencedora de diversos prêmios, atualmente a ONG conta com a ajuda de várias empresas do Rio Grande do Sul, além do governo do estado e da Prefeitura de Porto Alegre.

No entanto, um dos relatos que mais emocionaram os presentes à cerimônia foi o da farmacêutica e bioquímica cearense Maria da Penha Maia Fernandes. Em 29 de maio de 1983, como ocorre todos os dias com muitas mulheres, Maria da Penha foi vítima de violência doméstica por parte de seu então marido. Um tiro disparado pelo pai de suas três filhas a deixou paraplégica desde essa data, e a demora em punir o agressor se transformou numa bandeira de luta.

O caso de Maria da Penha se transformou no primeiro relato sobre violência doméstica ouvido pela Comissão Interamericana de Direitos Humanos em toda a América Latina. Após quase 20 anos de luta por justiça, ela lançou, em 1994, o livro Sobrevivi…posso contar, no qual narra sua experiência. Atualmente, faz parte da coordenação da Associação de Parentes e Amigos de Vítimas de Violência (Apav) do Ceará.

A jornalista e escritora Palmerinda Donato foi premiada por sua luta para que as mulheres ocupem um maior espaço no cenário político. Em 1955, criou e presidiu, no Rio de Janeiro, o 1º Comitê Feminino do Leme. É presidente da Academia Internacional de Cultura e conselheira da Liga das Mulheres Eleitoras do Brasil e do Memorial JK. Também foi contemplada com o prêmio a pediatra Zilda Arns, fundadora e coordenadora da Pastoral da Criança. A sanitarista acompanha crianças e gestantes há 20 anos e tem ajudado a diminuir a mortalidade infantil no Brasil e em outros 14 países.

O prêmio Diploma Mulher-Cidadã tem o nome de um dos grandes símbolos na luta pelos direitos políticos femininos, Bertha Maria Júlia Lutz.