Brasília – O presidente Luiz Inácio Lula da Silva decidiu tirar o ministro da Casa Civil, José Dirceu, das negociações envolvendo o projeto de lei que cria as Parcerias Público-Privadas (PPPs).

A decisão representa um revés para Dirceu, que criou atritos semana passada com três ministros ao tentar assumir as negociações. Lula decidiu que a articulação continuará sendo feita pelo ministro da Coordenação Política, Aldo Rebelo.

Na semana passada, interessado em assumir a negociação das PPPs, Dirceu marcou reunião com os líderes dos partidos da base aliada ao governo no Senado, sem avisar a Aldo nem aos ministros da Fazenda, Antônio Palocci, e do Planejamento, Guido Mantega.

Os três ministros ficaram sabendo do encontro por meio dos próprios líderes e reprovaram a atitude de Dirceu. Constrangido, o chefe da Casa Civil desmarcou a reunião e convocou outra com Aldo, Palocci e Mantega. Em coro, os três rejeitaram a convocação, em sinal de protesto. Na sexta-feira, o assunto foi levado ao presidente Lula, que decidiu arbitrar o conflito, afastando Dirceu das negociações.

“Não, não vou não. Quem faz reunião com o Congresso é o Aldo Rebelo e os líderes”, confirmou ontem o próprio Dirceu, depois de participar das celebrações do 7 de Setembro. “O ministro Aldo e os líderes vão trabalhar, nós vamos aprovar as PPPs, é do interesse do país, a maioria vai aprovar”. Na avaliação do governo, Dirceu não tem condições de fazer o Senado aprovar as PPPs.

Diferenças

Além de ter transformado o senador Tasso Jereissati (PSDB-CE) no principal adversário político do governo, ele vem se desentendendo com um importante aliado: o líder do PMDB no Senado, Renan Calheiros (AL). Isso vem ocorrendo porque Dirceu decidiu se envolver pessoalmente na aprovação da emenda constitucional que prevê a reeleição para as presidências do Senado e da Câmara. Renan é contra a emenda.

O clima entre os dois não anda nada bom. Na semana passada, enquanto Renan esperava na ante-sala do presidente Lula para uma reunião, Dirceu passou por ele e fez uma provocação. O ministro disse que o senador não tinha força política nem para eleger o candidato do PMDB, José Wanderley Neto, à prefeitura de Maceió.

“Nós vamos colocá-lo no segundo turno, ministro, e queremos que o senhor suba no palanque para ajudá-lo a ganhar a eleição”, respondeu Renan antes de entrar no gabinete de Lula. Anteontem, Dirceu disse que não está tratando da emenda da reeleição. “Eu não trato disso. Eu trato de articular aquilo que o presidente me determina no governo. Agora, estou cuidando de investimentos na infra-estrutura, de investimentos no país”, afirmou.