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Lula alegou que foram feitos sacrifícios duros para o País chegar ao estágio em que se encontra.

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva deixou claro ontem que seu governo não vai renegociar a dívida dos estados com a União, objeto de um acordo de refinanciamento assinado ainda no governo Fernando Henrique Cardoso. ?Nós não iremos mexer na dívida dos estados?, afirmou Lula no discurso que fez na cerimônia de assinatura de acordos para moradias no Rio de Janeiro, no Palácio Laranjeiras.

 A disposição manifestada pelo presidente é a de examinar situações específicas de cada estado, numa análise que chamou de ?caso a caso?, para avaliar a possibilidade de amenizar as dificuldades enfrentadas pelos governos estaduais. ?Mas não dá para a gente passar para a sociedade que o País vai voltar a uma anarquia fiscal?, afirmou. Lula justificou que foram feitos sacrifícios duros para que o País chegasse ao estágio em que se encontra e indicou que não admitirá retrocesso nesse quadro.

Na presença do governador do Rio, Sérgio Cabral, Lula assumiu o compromisso de que nenhum governador será discriminado pelo governo federal por questões partidárias ou políticas. ?Qualquer governador, de qualquer partido político, que tiver um problema e esse problema puder ser resolvido pelo governo federal, nós não iremos olhar o time, a escola de samba, a religião e o partido ao qual ele pertença?, assegurou.

O presidente não perdeu a oportunidade de atacar o programa de privatização de empresas públicas ao historiar o processo de renegociação da dívida dos estados com a União. ?Tem gente que governou quatro anos com o dinheiro de empresa pública vendida?, disse, acrescentando que seu governo não pretende vender ?nada?.

Uma vez esgotados os recursos, segundo o presidente, os governantes teriam percebido que o acordo não era vantajoso para os Estados. Sem citar nomes ou estados, também referiu-se aos recursos oriundos do pagamento de ?royalties?que teriam facilitado a aceitação do acordo por parte de governos estaduais.

?Quando houve o acordo da dívida dos estados, que a União assumiu, foi feita uma festa porque era para todo mundo pagar em não sei quantos anos, e o governo federal, então, autorizou os estados: ?vocês podem vender tudo o que vocês têm, vendam a cama do Palácio, vendam a geladeira, vendam todas as empresas?. Enquanto tinham as empresas para vender, ninguém reclamou do acordo. Agora acabou o que vender, e nós não vamos vender nada, pelo menos da parte do governo federal.?

A presença do secretário da Fazenda do Rio, Joaquim Levy, na cerimônia realizada ontem de manhã, deu o mote para que o presidente Lula reforçasse a determinação de manter as contas públicas sob controle. Ex-secretário do Tesouro Nacional no primeiro mandato do presidente, Levy foi classificado como ?muito duro? para liberar dinheiro, ?mas muito competente para segurar dinheiro e resolver o problema de rombo de caixa?, como acrescentou Lula.

Lula ainda mencionou Levy novamente ao lembrar que ?muitos companheiros foram xingados? porque diziam que não era possível liberar dinheiro para atender os pedidos que recebiam.

No final de seu discurso, o presidente referiu-se em tom superlativo às medidas do programa econômico que anunciará na próxima segunda-feira. ?Possivelmente, a história do Brasil nunca assistiu à quantidade de disponibilidade de dinheiro que nós vamos colocar para saneamento básico e para habitação nesses próximos quatro anos.?