Ricardo Stuckert / PR
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Lula: "Este País vai conseguir se acertar
e essa crise um dia vai terminar".

Fortaleza – Em discurso no Ceará, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva falou mais uma vez das acusações contra o governo e da crise política. O presidente disse que está "chateado e sofrendo muito". "Eu ando chateado, sofrendo muito quando eu vejo denúncias, insinuações e nenhuma prova que até agora possa condenar uma pessoa", afirmou no lançamento do Programa de Desenvolvimento Regional Sustentável do Banco do Brasil, em Quixadá.

O presidente pediu que a população não perca a esperança com a crise e não deixe de participar da vida política do País. "Eu só queria pedir para vocês: primeiro, que não perdessem a esperança. Nunca, nunca, nunca. Então, vocês não podem em nenhum momento achar que não vale a pena participar da vida política. Porque quando nada mais neste País valer a pena, o nosso povo vale a pena e a gente tem que acreditar que ele encontrará a solução para os problemas do País", disse o presidente.

Lula repetiu a necessidade de uma reforma política: "Precisamos fazer uma grande reforma política. É preciso ter uma reforma política de verdade no Brasil. Para que os partidos tenham mais representatividade, para que as pessoas tenham mais credibilidade quando são candidatas e pedem votos. E isso também nós temos que trabalhar junto com o Congresso para eles fazerem".

O presidente reafirmou confiança no Congresso Nacional e na Justiça para punir os envolvidos nas denúncias de corrupção. "Este País vai conseguir se acertar e essa crise um dia vai terminar. Quem errou, pagará", garantiu.

Ele ressaltou que as pessoas devem estar cientes de que o presidente da República não pode resolver o problema sozinho, "porque não estamos no tempo do Império, não somos imperadores e nem uma monarquia, nós somos uma democracia, uma República. O presidente, apenas, faz a parte que lhe cabe. Aquilo que é gente do governo, eu exonero. Aquilo que é da Polícia Federal, mando investigar. Quem vai julgar e vai punir não é nenhum ministro e nem o presidente", disse Lula.

Ao lado de Lula, o ministro da Integração Nacional, Ciro Gomes, disse que é preciso punir quem traiu a confiança do presidente e se envolveu em escândalos de corrupção. "Por mais amigo, por mais parceiro" que seja, destacou o ministro. "Gente que tinha a confiança do presidente da República trocou as mãos pelos pés e fez uma coisa muito feia, muito suja", afirmou. Segundo Ciro, os culpados devem ser punidos não só por seus delitos, mas também por terem mentido para o presidente e para a população. "Fizeram a besteira e depois pioraram tudo, mentindo para o presidente, mentindo para o povo brasileiro, e, por isso, merecem pagar dobrado. Tem que separar os culpados, para que paguem, dos inocentes. E isso infelizmente está demorando demais", comentou. O ministro destacou que o governo tem feito sua parte para esclarecer os fatos e que já afastou 59 suspeitos de envolvimento na série de escândalos. "Este é um governo de gente honesta", disse.