Foto: Agência Câmara

Aldo Rebelo: a situação do comunista está tão feia, que Lula está pedindo para o PT não esculhambar com ele.

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva mandou um recado ao candidato a presidente da Câmara Arlindo Chinaglia (PT-SP) e aos coordenadores da campanha dele: não quer que o presidente da Casa, Aldo Rebelo (PCdoB-SP), candidato à reeleição, seja humilhado. Na prática, Lula quer uma saída honrosa para quem considera um ?companheiro leal?.

Lula afirmou a interlocutores que estuda usar a reforma ministerial que fará no retorno das férias e entregar para o presidente da Câmara um ministério. O mais provável seria o da Defesa. Lula também vê outra saída para Rebelo: deixá-lo com a liderança do governo, atualmente sob responsabilidade de Chinaglia.

O temor do presidente é que, se vexado por petistas da tropa de choque do candidato do PT de São Paulo a presidente da Câmara, o atual presidente da Casa não terá condições de assumir nenhum dos dois postos vislumbrados. Um dos integrantes da coordenação da candidatura de Chinaglia, e que dá como certa a vitória dele no embate contra Rebelo, assegura que nenhum integrante do PT ?e muito menos? o deputado tem menosprezado o comunista. Na avaliação de petistas, Rebelo é que tem se rebaixado ao dar declarações contrárias ao governo e à disputa.

Embora estejam contando com a vitória em relação ao presidente da Casa, os petistas procuraram ser cautelosos ao serem informados do recado de Lula. Ontem, os coordenadores da campanha de Chinaglia decidiram que somente anunciarão o apoio dos partidos envolvidos com o ?mensalão? (PP, PTB e PL), que intramuros informaram sobre a adesão ao petista, depois de consolidar a adesão do PMDB e da oposição. O temor é que a divulgação do apoio agora provoque uma reação negativa e associe a candidatura de Chinaglia ao ?mensalão?.

Uma fera

Quem ficou estarrecido com o apoio do PSDB a Chinaglia foi o ex-presidente Fernando Henrique Cardoso. Ele classificou ontem como ?precipitada? a decisão de maioria da bancada do PSDB na Câmara de prestar apoio à candidatura do líder do governo na Casa, Arlindo Chinaglia (PT-SP), a presidente do Legislativo. E emitiu uma nota em que diz que se surpreendeu com a decisão, ?que considero precipitada, de assegurar ao PT os votos do PSDB, sem discussão política mais profunda sobre as implicações e conseqüências do gesto. Ainda há tempo para as lideranças pensarem na opinião pública e nos milhões de brasileiros que esperam do PSDB uma posição construtiva, mas oposicionista, para que possamos manter a esperança de dias melhores?.

E não foi só FHC que não gostou. O líder da bancada tucana no Senado, Arthur Virgílio Neto (AM), também criticou a decisão de apoiar Chinaglia. Em sua nota, Virgílio Neto afirma que o apoio do PSDB à candidatura Chinaglia, por suas implicações políticas, transcende o âmbito das decisões da liderança naquela Casa. Arthur Virgílio disse, ainda, que se fosse deputado federal votaria em Aldo Rebelo (PCdoB-SP), com uma única exigência: a de pôr a instituição acima de tudo.